O Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa Selic de 14,00% ao ano para 13,75% ao ano, mas manteve a avaliação de que o balanço de riscos para a inflação continua inclinado para a alta. A decisão foi divulgada nesta quarta-feira (16), junto com o comunicado da reunião de setembro.
O colegiado relacionou quatro fatores que podem pressionar os preços. Um deles é a possibilidade de desancoragem das expectativas de inflação por um período mais prolongado. O Copom avaliou que prazos mais longos podem absorver impactos de segunda ordem de choques de oferta associados ao petróleo e seus derivados, além de efeitos do clima sobre a produtividade agrícola e os custos de energia.
Também foram apontadas uma resistência maior da inflação de serviços em relação ao projetado, em razão de um hiato do produto mais positivo, e a combinação de políticas econômicas externa e interna com impacto inflacionário acima do esperado. Nesse segundo caso, o comitê incluiu a possibilidade de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada.
O quarto risco de alta é a existência de estímulos à demanda agregada, principalmente ao consumo. Para o Copom, esse movimento pode levar o crescimento da atividade econômica a superar o produto potencial e reduzir a força de parte dos canais habituais de transmissão da política monetária.
Fatores de baixa
Na outra direção, o comunicado cita três riscos. O primeiro é uma desaceleração da atividade econômica doméstica mais intensa que a projetada, com impacto sobre as perspectivas para a inflação. O comitê também considerou uma desaceleração global mais acentuada, relacionada a choques no comércio e no petróleo e a um cenário de maior incerteza.
Por fim, uma queda nos preços das commodities foi incluída entre os fatores com potencial desinflacionário. Com a decisão, o Copom preservou a leitura de que os riscos seguem mais elevados que o usual e que predominam vetores de alta no balanço inflacionário.



