O Comitê de Política Monetária (Copom) deve reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto porcentual, para 13,75%, ao fim da reunião desta quarta-feira, 16. A expectativa é unânime para essa decisão, mas há divergências sobre o que ocorrerá nas duas reuniões seguintes do ano, em novembro e dezembro.
A definição dependerá da combinação entre o resultado da eleição presidencial, o comportamento do câmbio e as expectativas de inflação. Por isso, o comunicado que acompanhará a decisão deverá evitar uma indicação clara sobre os próximos passos, sem comprometer a credibilidade do Banco Central diante de investidores e analistas.
Desde a reunião de agosto, os indicadores de atividade apontaram uma desaceleração mais intensa do que a prevista inicialmente. Entre os fatores citados estão o elevado endividamento das famílias e a política monetária ainda apertada. O consumo das famílias caiu 0,4% no PIB do segundo trimestre, quadro que poderia justificar novos cortes de juros após a eleição.
Ao mesmo tempo, os efeitos do super El Niño devem começar a pressionar a inflação a partir deste mês. Há estimativas de inflação de até 5,5% neste ano, enquanto a mediana das projeções para 2027 subiu pela quinta semana seguida e chegou a 4,30% para o IPCA. O petróleo também voltou a superar US$ 100 o barril, fatores que poderiam limitar a continuidade da redução da Selic.
Eleição e cenários para os juros
Para analistas, uma vitória do presidente Lula, com a manutenção da atual política econômica e de maior gasto público, poderia levar o dólar acima de R$ 5,30 e afastar as expectativas de inflação da meta de 3%. Já uma vitória de Flávio Bolsonaro poderia fazer a moeda recuar para abaixo de R$ 5, acompanhada de uma redução nas projeções para o IPCA diante da expectativa de ajuste fiscal.
No cenário associado a Flávio Bolsonaro, o Copom ainda poderia cortar os juros mesmo com um choque de inflação provocado pelo El Niño, caso a economia continuasse esfriando e as expectativas permanecessem ancoradas. No cenário associado a Lula, a combinação de dólar pressionado e projeções de inflação em alta levaria o Copom a interromper o ciclo em 13,75% e reavaliar os riscos.



