As taxas dos depósitos interfinanceiros (DIs) subiam nesta segunda-feira, pressionadas pela combinação de novas pesquisas eleitorais, incertezas envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF), alta do petróleo e avanço dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos.
Às 10h08, o DI para janeiro de 2028 era negociado a 13,695%, com alta de 7 pontos-base em relação ao ajuste de 13,625% da sessão anterior. O contrato para janeiro de 2035, na parte longa da curva, estava em 14,3%, avanço de 12 pontos-base ante 14,179%.
A tensão entre Estados Unidos e Irã levou investidores a buscar ativos considerados mais seguros, como o dólar. Ao mesmo tempo, o petróleo Brent voltou a se aproximar de US$110 por barril, aumentando as preocupações com a inflação em diferentes países.
No mercado brasileiro, a disputa pela Presidência também influenciava os negócios. A pesquisa Datafolha divulgada na sexta-feira, depois do fechamento dos mercados, apontou Luiz Inácio Lula da Silva com 46% e Flávio Bolsonaro com 44% em uma simulação de segundo turno. A diferença está dentro da margem de erro de 2 pontos percentuais.
Levantamento BTG/Nexus divulgado nesta segunda-feira mostrou Lula com 47% das intenções de voto e Flávio com 46%. O resultado também configura empate técnico, considerando a margem de erro de 2 pontos percentuais, mas recolocou Lula numericamente à frente, depois de Flávio aparecer na liderança no levantamento anterior.
O mercado acompanha com desconfiança uma eventual reeleição de Lula, por avaliar que ela poderia dificultar o controle das contas públicas e da inflação. Nesse contexto, informações desfavoráveis a Flávio, como o resultado da pesquisa BTG/Nexus, têm sido associadas a momentos de alta do dólar e dos juros futuros.
A situação no STF acrescenta cautela. O presidente da corte, Edson Fachin, assumiu a relatoria da petição sobre mensagens trocadas entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, do Banco Master. O julgamento está previsto para terça-feira. Fachin também marcou para o dia 23 a análise da conduta de André Mendonça como relator do caso envolvendo o Banco Master.
Os investidores ainda se posicionam para um possível novo corte da Selic, atualmente em 14%, na próxima quarta-feira. Na última quinta-feira, a precificação das opções de Copom negociadas na B3 indicava 96% de chance de redução de 25 pontos-base e 3% de probabilidade de manutenção.
Para a reunião seguinte, em novembro, as opções apontavam 61% de probabilidade de novo corte de 25 pontos-base e 25,5% de chance de manutenção. No boletim Focus, a mediana das projeções indicava Selic em 13,75% no fim deste ano e em 12% no encerramento de 2027. A inflação projetada para 2026 caiu de 5,00% para 4,90%, enquanto a previsão para o próximo ano passou de 4,29% para 4,30%.
No exterior, às 10h08, o rendimento do Treasury de dez anos subia 1 ponto-base, para 4,988%.



