As taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DIs) encerraram a terça-feira em alta, acompanhando o avanço do petróleo e dos rendimentos dos Treasuries no exterior. No Brasil, os investidores também monitoraram o cenário político e seus possíveis efeitos sobre a disputa presidencial.
A taxa do DI para janeiro de 2028 fechou em 13,67%, alta de 4 pontos-base em relação ao ajuste de 13,629% da sessão anterior. No vencimento mais longo, o DI para janeiro de 2035 subiu 10 pontos-base, para 14,375%, ante 14,277%.
O petróleo Brent avançou para acima de US$108 o barril após notícias sobre a suspensão de carregamentos no Mar Vermelho e a interrupção de operações em campos da Líbia. O movimento ampliou as preocupações com a inflação em diferentes países e contribuiu para a alta dos rendimentos dos Treasuries nos Estados Unidos.
A elevação dos juros futuros americanos aumentou as apostas de que o Federal Reserve poderá promover uma série de aumentos de juros para conter os preços. “O que tem contribuído para vermos uma curva abrindo -- não só no Brasil, mas também nos EUA -- tem a ver com os riscos inflacionários, com o petróleo acima dos US$100 o barril”, afirmou Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research.
No ambiente doméstico, o mercado acompanhou a reunião dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a possível abertura de investigação contra Alexandre de Moraes no caso Master. Nunes Marques e Dias Toffoli informaram que não votarão o tema.
Em manifestação encaminhada ao presidente do STF, Edson Fachin, Moraes negou irregularidades e afirmou ser vítima de investigação ilegal, com motivação político-eleitoral e de vingança. O ministro foi relator do processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe.
A pesquisa CNT/MDA divulgada na terça-feira mostrou Luiz Inácio Lula da Silva à frente de Flávio Bolsonaro em uma simulação de segundo turno: 47,3% contra 40%. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais. Na segunda-feira, levantamentos da Quaest e do instituto Nexus indicaram empate técnico entre os dois.
O IBGE informou que as vendas no varejo recuaram 0,8% em julho ante junho, enquanto a expectativa era de queda de 0,20%. Na comparação com julho do ano passado, houve alta de 1,2%, abaixo dos 2,15% esperados. Os dados reforçaram a expectativa de corte de 25 pontos-base da Selic na quarta-feira, atualmente em 14%, com possibilidade de nova redução em novembro.
Às 16h31, o rendimento do Treasury de dez anos subia 3 pontos-base, para 4,996%. O Federal Reserve também anunciará sua nova taxa de juros na tarde de quarta-feira.



