Horácio Lafer Piva, acionista e integrante do conselho de administração da Klabin, defende que o Supremo Tribunal Federal (STF) esclareça antes das eleições as acusações relacionadas ao Banco Master e a ministros da Corte. Para ele, eventuais adiamentos no julgamento previsto para terça-feira, 15, podem impedir que os eleitores tenham acesso a informações relevantes antes de escolher candidatos à Presidência, ao Senado e à Câmara dos Deputados.
O empresário avalia que o caso agravou uma crise institucional que já havia aparecido em episódios anteriores. Na avaliação dele, a falta de enfrentamento dessas situações contribuiu para ampliar o problema e afetou estruturas consideradas fundamentais para a democracia brasileira.
Pressão por esclarecimentos
Piva afirma que pedidos de vista, questões preliminares e outros instrumentos processuais podem postergar a decisão sobre a investigação do ministro Alexandre de Moraes. Segundo ele, qualquer adiamento neste momento pode reforçar a percepção de que a Justiça atua de maneira casuística.
“O próximo governo eleito não pode entrar com uma mácula dessas, com uma dúvida dessa”, afirmou. Ele também defendeu que o Congresso exerça seu papel constitucional de fiscalização do Judiciário e cobre o andamento das investigações.
Para o empresário, a sociedade civil deve continuar pressionando parlamentares e instituições por transparência. Ele citou o apoio dado ao ministro Edson Fachin, presidente do STF, por meio do manifesto “Pela Lei e pelo Brasil”. Piva afirmou que Fachin precisa de apoio diante das críticas recebidas de diferentes lados.
Mesmo que todas as respostas não sejam apresentadas antes das eleições, o empresário considera necessário indicar um caminho para a solução do caso. “Algumas soluções precisam ser dadas”, disse.
Mobilização após as eleições
Piva afirmou que a mobilização social não deve terminar com o abaixo-assinado. Ele comparou o movimento atual ao Pacto pela Democracia, lançado em 2022 e mantido como referência para o debate institucional.
Na avaliação do integrante da Klabin, a sociedade está cansada de sucessivos episódios envolvendo possíveis manobras jurídicas e espera uma resposta do Congresso e do Judiciário. Ele também disse que a criação de um código de ética pelo ministro Fachin é positiva, mas não substitui a continuidade das investigações.



