SÃO PAULO — O ex-presidente da SPTrans Levi dos Santos Oliveira foi preso nesta quinta-feira, 17, na Operação Vectura Corrupta, que investiga a suposta infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte público de São Paulo.
Oliveira ingressou na SPTrans em 1991, por meio de seleção pública, e construiu a carreira na área de planejamento. Graduado em Ciências da Computação e pós-graduado em Planejamento de Mobilidade Urbana, ele passou a dirigir o Planejamento de Transporte da empresa em 2017.
Três anos depois, foi nomeado presidente da SPTrans pelo então prefeito Bruno Covas. No fim de 2020, assumiu a Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes de São Paulo. Em agosto de 2021, tornou-se secretário executivo de Transporte e Mobilidade Urbana.
Em fevereiro de 2022, retornou à presidência da SPTrans e permaneceu no cargo até o início de 2025, quando foi substituído por Victor Hugo Borges. Ao todo, trabalhou por mais de 30 anos na empresa.
Investigação
De acordo com a investigação, Oliveira teria mantido encontros periódicos com um suposto intermediário do PCC para tratar de interesses ligados a empresas de transporte. Esses encontros teriam ocorrido especialmente após a deflagração da Operação Fim da Linha.
A Operação Vectura Corrupta é apontada como desdobramento da Operação Dercúrio, deflagrada em agosto de 2024 contra um esquema de lavagem de dinheiro do tráfico de drogas operado pelo PCC. Na ocasião, a investigação identificou uma rede de comunicação usada para manter contato entre integrantes da chamada Sintonia Restrita e da Sintonia dos Gravatas, além de projetos para lançar integrantes da facção como candidatos nas eleições municipais.
O ex-vereador Milton Leite, do União Brasil, que presidiu a Câmara Municipal de São Paulo por seis anos, também é alvo de mandado de prisão. Como não foi localizado, é considerado foragido. Leite afirmou que pretende provar a inocência e declarou: “Não estou foragido, e vou me apresentar às autoridades em até 24 horas”.
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, disse ter ficado “surpreso” com a prisão. A defesa de Oliveira não respondeu à tentativa de contato. O espaço permanece aberto para manifestação.



