Belo Horizonte, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Gravações mostram empresários do INSS discutindo dinheiro e acordos com entidades

Imagens registradas após a Operação Sem Desconto mostram suspeitos citando José Carlos de Oliveira e valores ligados às associações.

Gravações mostram empresários do INSS discutindo dinheiro e acordos com entidades
Foto: Geraldo Magela

Gravações de câmeras de segurança mostram empresários investigados por descontos indevidos em aposentadorias discutindo dinheiro, acordos com entidades e a relação com o ex-ministro da Previdência José Carlos de Oliveira. As imagens foram registradas em 22 de maio de 2025, cerca de um mês após a Operação Sem Desconto, da Polícia Federal.

O encontro ocorreu na residência de Anderson Cordeiro de Vasconcelos, que recebeu Igor Dias Delecrode. Os dois integram o grupo chamado de “golden boys”, formado por empresários que, apesar de terem entre 30 e 40 anos, presidiram formalmente quatro entidades ligadas ao esquema investigado.

Relação com ex-ministro

Durante a conversa, Delecrode e Anderson mencionam a participação de Wilson Roberto Gomes, pai de Felipe Macedo Gomes, na obtenção do primeiro acordo para a Amar Brasil Clube de Benefícios. Delecrode afirmou que Wilson teria dito que se sentou com Oliveira e garantido que os empresários eram confiáveis.

Anderson também atribuiu a Wilson a frase: “Faz pro meu filho como se fosse pra mim”. Em outro momento, afirmou não saber quem receberia um helicóptero mencionado na conversa. O empresário usou a expressão “big boss”, mas não esclareceu a quem se referia.

Os dois ainda falaram que Felipe poderia recorrer ao dinheiro do pai. Segundo a conversa, Wilson teria recebido R$ 7 milhões dos empresários. A investigação também identificou uma transferência de R$ 8 mil feita por Felipe a Oliveira, além de um repasse de R$ 12,5 mil recebido por Felipe de João Carlos Camargo Júnior.

Oliveira foi ministro da Previdência, presidiu o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e ocupou a diretoria de benefícios do órgão. Ele já foi indiciado por suspeita de recebimento de propina da Conafer. O ex-ministro e os empresários passaram a usar tornozeleiras eletrônicas por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). O inquérito sobre os “golden boys” ainda não tinha relatório apresentado.

Valores e acordos

As associações ligadas a Igor e Anderson receberam mais de R$ 700 milhões. A Amar Brasil Clube de Benefícios, sozinha, faturou R$ 324 milhões entre 2021 e 2025. Outras três entidades obtiveram acordos durante o governo Lula e movimentaram mais R$ 376 milhões.

O acordo da Amar Brasil foi assinado por Edson Yamada, então diretor do INSS e sócio de Oliveira. Também são citadas a Master Prev, a Associação de Amparo ao Aposentado e Pensionista (AASAP) e a Associação Nacional de Defesa dos Direitos dos Aposentados e Pensionistas (ANDAPP). As investigações apontaram que mais de R$ 100 milhões recebidos pelas entidades foram direcionados a empresas de Américo Monte Jr., Felipe, Anderson e Igor, além de transferências para parentes.

Os acordos de cooperação técnica permitiam que as entidades recebessem diretamente dos benefícios as mensalidades de associados. Em contrapartida, eram oferecidos serviços como seguros e planos de saúde. Dados da Controladoria-Geral da União (CGU) indicaram que 98% dos aposentados não autorizaram os descontos.

A Polícia Federal investiga empresários suspeitos de fraude e ex-diretores do INSS suspeitos de receber propina para aprovar entidades ou manter acordos. A Operação Sem Desconto investigou desvios de R$ 6,2 bilhões em aposentadorias.

Defesas

Os advogados Rogério Cury, Daniela Cury, Levy Magno e Victor Fanti, que defendem Anderson, Igor e Felipe, disseram desconhecer a existência, a autenticidade e a integridade das gravações. A defesa de Anderson afirmou que, se os vídeos existirem, eles teriam sido obtidos de maneira ilícita.

Fernando José da Costa, advogado de Wilson Roberto Gomes, afirmou que seu cliente nunca teve relação com as associações. Sobre uma condenação anterior, disse que o processo teve reconhecida a prescrição da pretensão executória.

José Carlos Oliveira negou irregularidades e afirmou que não manteve relação particular ou profissional com os envolvidos. Por meio da defesa, disse que não tinha ingerência na celebração dos acordos e que os instrumentos seguiam análises técnicas, administrativas e jurídicas do INSS. Também declarou que conhece integrantes da família Macedo, mas negou amizade próxima ou antiga com eles.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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