O impacto do julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a disputa presidencial é apontado por gestores como o principal fator de influência sobre o mercado financeiro. A avaliação é de que os ativos devem reagir menos ao desfecho jurídico e mais à possibilidade de o episódio afetar o desgaste do governo e as chances eleitorais de Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro.
Marcelo Audi, sócio da Cardinal Partners, considera negativos para Lula os diferentes cenários relacionados ao julgamento. Na avaliação dele, a abertura de uma investigação seria o melhor resultado do ponto de vista institucional, mas a continuidade do processo mantém essa possibilidade em aberto.
Audi afirma que não identifica um resultado favorável ao presidente na perspectiva eleitoral e aponta a corrupção como o principal caminho para que a crise no Supremo alcance o eleitorado. O tema também ganhou relevância porque o próximo presidente poderá indicar novos ministros para a Corte, tornando a composição do STF parte da disputa política.
Efeito sobre os ativos
Um gestor de fundo multimercado, que não quis ser identificado, avalia que nenhum desfecho — investigação, pedido de vista, adiamento ou encerramento do caso — determina automaticamente a direção dos preços. Para ele, as novas revelações envolvendo Alexandre de Moraes aumentaram a percepção de possibilidade de derrota de Lula e vitória de Flávio.
Outro gestor, de uma mesa de ações de uma asset multiprodutos, afirma que a ausência de investigação seria negativa para o sistema político, enquanto a abertura de apuração poderia representar um alívio institucional. No curto prazo, porém, o prolongamento do tema pode ampliar o espaço para a oposição explorar o desgaste de Moraes e associá-lo a Lula.
A expectativa é de manutenção da volatilidade dos ativos. O mercado tenta avaliar quanto os preços já incorporam de uma vitória de Lula ou de Flávio e ajustar as posições conforme surgem novas informações.



