BRASÍLIA — O deputado federal e pastor Otoni de Paula (PSD-RJ) acusou Flávio Bolsonaro (PL) de receber dinheiro do setor de apostas online e de pressionar Jair Bolsonaro pela regulamentação das bets. Segundo Otoni, o então ministro Paulo Guedes também participou da articulação durante o governo anterior.
Em vídeo publicado nas redes sociais, o deputado afirmou ter acompanhado uma discussão no Palácio do Planalto. De acordo com seu relato, Jair Bolsonaro decidiu não avançar com a regulamentação naquele momento por receio da reação das igrejas evangélicas.
“Eu estava no Palácio do Planalto, eu estava no gabinete do Bolsonaro, quando ele disse que não iria regulamentar porque tinha medo da resposta da Igreja”, afirmou Otoni.
O deputado dirigiu a acusação diretamente a Flávio. “O Paulo Guedes e você botavam pressão no Bolsonaro para ele regulamentar as Bets”, disse. Otoni também afirmou que o senador teria interesse financeiro no setor, mas não apresentou documentos ou valores relacionados ao suposto pagamento.
Divergência sobre cassinos e apostas esportivas
A crítica ocorre após Flávio se manifestar sobre medidas contra as apostas online. Em 23 de setembro, o candidato à Presidência afirmou que pretendia acabar com os cassinos online, incluindo plataformas associadas ao chamado “jogo do tigrinho”. Ao mesmo tempo, indicou que as apostas esportivas poderiam continuar sob maior controle.
Depois, Flávio voltou ao assunto e declarou ser favorável à proibição dos cassinos online, mas deixou em aberto a continuidade das apostas esportivas. Ele criticou a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de proibir as apostas eletrônicas e classificou a medida como “populista, hipócrita e eleitoreira”.
Otoni disse que Flávio deveria defender a proibição do setor por ser evangélico e afirmou que o senador pretende atuar contra a medida do governo Lula no Congresso Nacional. “Fala que você vai lutar para que a MP do Lula não seja aprovada no Congresso Nacional”, declarou.
Questionamentos religiosos
Durante o vídeo, Otoni questionou a identidade evangélica reivindicada por Flávio e perguntou qual igreja o senador frequenta, onde entrega o dízimo e onde participa da ceia. Também afirmou que pretendia “desmascará-lo”.
O deputado chamou Flávio de “crente picareta” e “crente pirata”, além de acusá-lo de integrar um “lobby de destruição” e de não revelar sua relação com o mercado de apostas.
O confronto entre os dois parlamentares do Rio de Janeiro ocorre durante a campanha presidencial de 2026. A posição de Flávio sobre a continuidade das apostas esportivas passou a ser usada por Otoni para cobrar uma definição sobre o setor e associá-lo aos interesses das empresas de apostas.



