O petróleo passou a responder por 14,6% das exportações brasileiras em agosto, ultrapassando a soja, que representou 13,3% no mês. No acumulado até agosto, porém, a soja ainda lidera a pauta, com 15,7%, enquanto o petróleo aparece com 14,7%, segundo o Indicador de Comércio Exterior (Icomex), da Fundação Getulio Vargas (FGV).
A FGV estima que o petróleo bruto tenha produzido saldo de US$ 32,3 bilhões no ano até agosto. Como os derivados registraram déficit de US$ 4,9 bilhões, o resultado líquido de petróleo e derivados ficou em US$ 27,3 bilhões. Esse valor equivale a 49,4% do superávit comercial total do período.
Desempenho por parceiro
O avanço do saldo comercial brasileiro em 2026 foi sustentado principalmente pela indústria extrativa, enquanto a indústria de transformação acumulou resultados negativos nas relações com China, União Europeia e Estados Unidos. A agropecuária manteve saldos positivos nesses mercados.
Entre janeiro e agosto, o comércio com a China gerou superávit de US$ 33,8 bilhões para a indústria extrativa e de US$ 27,9 bilhões para a agropecuária. Na indústria de transformação, houve déficit de US$ 36,1 bilhões.
Com a União Europeia, o saldo positivo da indústria extrativa chegou a US$ 11,2 bilhões, ante US$ 7,8 bilhões da agropecuária. A indústria de transformação registrou déficit de US$ 15,8 bilhões.
Nos Estados Unidos, o déficit da indústria de transformação foi de US$ 4,6 bilhões. Os resultados positivos da agropecuária, de US$ 1,1 bilhão, e da indústria extrativa, de US$ 0,4 bilhão, não compensaram esse resultado.
Perspectivas
A FGV avalia que a semelhança entre as exportações brasileiras e americanas em agropecuária e indústria extrativa limita a expansão do superávit nesses segmentos. Para a indústria de transformação, o mercado dos Estados Unidos oferece mais oportunidades de crescimento das exportações. Na União Europeia, esse movimento dependerá dos desdobramentos do acordo com o Mercosul.
O Icomex, divulgado nesta terça-feira (15), projeta que o superávit comercial de 2026 supere o de 2025, apoiado pela indústria extrativa, especialmente pelo petróleo.



