José Ortega y Gasset associou a felicidade à realização de uma vocação pessoal, muito antes dos estudos modernos sobre bem-estar. Para o filósofo, o propósito não está ligado ao acúmulo de dinheiro, carros ou bens materiais, mas à dedicação às atividades que correspondem à singularidade de cada pessoa.
A reflexão aparece no prefácio de Veinte años de caza mayor, livro do conde de Yebes. Na obra, Ortega y Gasset desenvolve uma teoria da felicidade apresentada em El Espectador. Ele afirma que a experiência mostra a existência de pessoas favorecidas pela fortuna econômica que, ainda assim, foram profundamente infelizes.
O filósofo também sustenta que “a felicidade não repousa nas riquezas materiais” e define a felicidade como uma vida dedicada às ocupações para as quais cada pessoa tem uma vocação singular.
A discussão é apresentada ao lado de ideias de Zygmunt Bauman, sociólogo e filósofo conhecido por Modernidade Líquida. Bauman dizia que, na sociedade atual, as concepções de felicidade acabam associadas ao consumo. Em outra direção, a Universidade de Harvard tem defendido que a verdadeira felicidade está nas relações cultivadas.
Nesse conjunto de reflexões, a felicidade aparece menos como resultado da posse de bens e mais como consequência de uma vida coerente com a própria vocação. Para Ortega y Gasset, quem encontra essa direção pode viver o presente de maneira plena.



