Arthur Brooks, professor da Universidade de Harvard e autor de livros sobre felicidade e propósito, defende que o tédio tenha espaço na rotina. Para ele, os momentos sem uma tarefa ou distração podem ajudar na reflexão sobre quem somos e sobre o sentido da vida.
A avaliação foi apresentada em uma entrevista ao The Rich Roll Podcast, publicada em março de 2026. Brooks considera que a tentativa de ocupar cada minuto livre — como a espera pelo sinal, uma fila, o elevador ou o intervalo entre tarefas — pode afastar questões importantes.
"Precisamos ficar entediados. Nosso cérebro precisa ficar entediado", afirmou o professor durante a conversa.
O papel do celular
O celular oferece uma maneira rápida de evitar o desconforto da espera. Quando alguns minutos parecem longos, é possível assistir a um vídeo ou percorrer as redes sociais. Na avaliação de Brooks, esse hábito elimina pequenas pausas que poderiam abrir espaço para pensar.
O professor descreve uma contradição nesse comportamento: a pessoa pode permanecer entretida a todo momento e, ainda assim, ter pouco tempo para refletir sobre o que dá interesse e significado à vida.
Para Brooks, o incômodo provocado pelo tédio pode explicar por que tantas pessoas procuram imediatamente algo para fazer. Ao interromper esses intervalos com estímulos constantes, porém, elas deixam de lado a oportunidade de observar os próprios pensamentos e considerar perguntas relacionadas à identidade e ao propósito.



