Belo Horizonte, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
O radar da região e do país
Economia

Resíduos de cédulas abastecem rótulos, móveis e novos negócios

Projeto reaproveita aparas da fabricação de dinheiro e estima economia para a Casa da Moeda, receita para empresas e menor emissão de carbono.

Resíduos de cédulas abastecem rótulos, móveis e novos negócios
Foto: Instituto Tran$forma/Divulgação

A fabricação de cédulas passou a gerar novos produtos e oportunidades de receita a partir do reaproveitamento de aparas de papel-moeda. O material, antes destinado em grande parte ao coprocessamento, é transformado em rótulos, papéis de baixa segurança e mobiliário.

A mudança foi analisada no relatório Análise Comparativa Financeira e de Emissões de GEE de Rotas de Processamento de Resíduos de Papel-Moeda, elaborado pela consultoria BIP com base nas aparas produzidas na Casa da Moeda do Brasil de janeiro a dezembro de 2025. A instituição não respondeu ao contato sobre os resultados até a publicação.

Economia no processamento

O projeto envolve a Casa da Moeda, a BP Security e o Instituto Tran$forma, braço da Equipa Group. O reaproveitamento de 200 toneladas por ano elimina custos logísticos para a destinação dos resíduos e pode gerar impacto financeiro positivo estimado em aproximadamente R$ 249 mil por ano para a Casa da Moeda.

Para a BP Security, a operação tem lucro líquido estimado em 34,8% e potencial de gerar mais de R$ 692 mil em receita anual com produtos fabricados a partir do material recuperado.

A BP Security produz o papel de segurança usado na fabricação de cédulas. O material contém fibra de algodão e pode receber recursos como marcas d’água e fios. A empresa desenvolveu uma técnica de extração e recuperação dessa fibra.

Segundo Alexandre Ambrozio Gilberti, diretor de Operações da empresa, o projeto começou em 2021. As aparas inicialmente foram usadas na produção de caixas de pizza. Desde 2023, passaram também a ser destinadas à fabricação de papéis para produtos que exigem baixa segurança, como rótulos.

“Esse material que vem da Casa da Moeda é transformado em fibras alternativas de baixo custo”, afirmou Gilberti. De acordo com ele, o resíduo já picotado permite aumentar a velocidade da máquina de papel e reduzir custos de mão de obra e energia.

Móveis e redução de emissões

O Instituto Tran$forma utiliza as aparas na produção de mobiliário. Entre os itens estão carteiras escolares, cadeiras de auditório, mesas, armários, objetos de decoração e mesa de pingue pongue. Parte desses móveis foi comprada pela Escola do Futuro do Estado de São Paulo, aberta em agosto deste ano no município de São Roque, com investimento público de R$ 40 milhões.

O material reciclado ainda não é usado na produção de cédulas, mas a BP Security avalia que o processo pode ser adaptado para essa finalidade, caso solicitado.

O inventário estima que o uso de fibras recuperadas reduza em até 92% as emissões de dióxido de carbono em comparação com o algodão virgem: de 2,6 mil kgCO₂e/t para 205 kgCO₂e/t. O reúso também é associado a menor uso do solo, menor consumo de água, redução de agroquímicos e fortalecimento da economia circular.

O Instituto Tran$forma calcula ainda que o reaproveitamento em mobiliário pode ampliar a vida útil do material para cem anos. “Em circulação, no Brasil, a vida útil da cédula dura três anos e meio”, disse o fundador e CEO da organização, Patricio Malvezzi.

O projeto pretende ampliar o reaproveitamento para as aparas geradas pelo Banco Central, além das produzidas na Casa da Moeda.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Assine nossa newsletterAs principais notícias do dia no seu e-mail.