Clubes e federações de futebol divulgaram um manifesto após empresas de apostas alertarem que uma eventual medida do governo contra as bets poderá levar à revisão de contratos de patrocínio. As plataformas afirmam que mudanças no setor afetariam seu faturamento e poderiam acionar cláusulas previstas nos acordos com as equipes.
Atualmente, 13 dos 20 times da Série A do Brasileirão mantêm contratos com empresas de apostas. A competição é patrocinada pela Betano, empresa grega apontada como a principal do mercado. As bets já chegaram a patrocinar 19 dos 20 clubes da primeira divisão e ainda movimentam mais de R$ 1 bilhão em contratos com equipes da elite.
O alerta ocorreu depois que leis municipais passaram a impedir a exibição de marcas de apostas em espaços públicos, incluindo estádios. Restrições desse tipo foram adotadas no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Belo Horizonte.
Possível medida provisória
As empresas também informaram aos clubes que o governo pretende editar uma Medida Provisória para acabar com os cassinos online, incluindo o jogo do tigrinho e similares. Essa atividade representa parte importante do faturamento das principais bets. A expectativa é de que a proposta seja publicada e encaminhada ao Congresso Nacional nos próximos dias, antes do 1º turno das eleições.
Os termos da MP ainda não estão definidos. Mesmo assim, clubes e federações divulgaram, nesta quinta-feira, 17, um manifesto em que demonstram preocupação com os rumores. O documento afirma que a eventual medida seria um "golpe fatal" para o futebol brasileiro e poderia levar muitos clubes à insolvência.
Entre os clubes que divulgaram o texto estão Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Flamengo. As entidades também pressionam a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que trata o assunto com cautela.
Representantes das empresas dizem que a maioria dos contratos tem cláusulas para revisão em caso de mudanças relevantes nas regras. As apostas foram regulamentadas no início de 2024, e cada empresa pagou R$ 30 milhões para operar no País durante cinco anos. As empresas defendem um estudo sobre os impactos econômicos e jurídicos antes de eventuais restrições.



