Belo Horizonte, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Programas presidenciais divergem sobre dívida, indústria e comércio exterior

Propostas para 2026 apresentam diferentes caminhos para o ajuste fiscal, a reindustrialização, a tributação e a inserção internacional do Brasil.

Programas presidenciais divergem sobre dívida, indústria e comércio exterior
Foto: DW/Deutsche Welle

A agenda econômica ocupa posição central nas campanhas à Presidência em 2026, em um cenário de juros elevados, pressão sobre as contas públicas e baixo dinamismo dos investimentos. A taxa básica de juros, a Selic, está em 13,75% e permanece em dois dígitos desde o início de 2022.

A Dívida Bruta do Governo Geral chegou a 82,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em julho de 2026, o equivalente a R$ 10,9 trilhões. No mesmo contexto, uma pesquisa BTG/Nexus indicou que 53% dos eleitores entrevistados consideram ruim a situação econômica do país.

Os programas analisados apresentam propostas para quatro áreas: contas públicas e ajuste fiscal; reindustrialização e minerais críticos; tributação e impostos; e acordos internacionais e exportação.

Contas públicas e ajuste fiscal

Ronaldo Caiado (PSD) propõe o “Orçamento da Verdade”, com diagnóstico de despesas obrigatórias, passivos, subsídios, benefícios tributários e riscos fiscais. O plano prevê uma estratégia fiscal plurianual, revisão de subsídios e combate aos supersalários.

Flávio Bolsonaro (PL) defende cortar no mínimo 10 ministérios, reduzir cargos comissionados e eliminar penduricalhos e supersalários. Também propõe reformular as regras fiscais para reduzir a relação entre dívida e PIB e levar os juros à média internacional.

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sustenta a execução do arcabouço fiscal aprovado em sua gestão, com controle de despesas sem comprometer investimentos e políticas sociais. A meta é aproximar o déficit primário do equilíbrio fiscal.

Romeu Zema (Novo) defende um “choque fiscal” com privatização de estatais e reforma administrativa. Também propõe uma nova Reforma da Previdência para estados, municípios, trabalhadores rurais e militares, com reajuste automático da idade mínima conforme a expectativa de vida.

Renan Santos (Missão) apresenta a “PEC do Equilíbrio Fiscal”, com economia acumulada estimada em até R$ 1,1 trilhão até 2031. A proposta inclui corrigir benefícios previdenciários apenas pela inflação e desvincular os pisos de saúde e educação da receita.

Augusto Cury (Avante) estabelece como objetivos um déficit público próximo de zero e a redução gradual da dívida pública. Para isso, prevê controle de custos, metas de eficiência e uso de Inteligência Artificial (IA) no cruzamento de dados para combater fraudes e desperdícios.

Indústria, minerais críticos e tributos

Caiado propõe reindustrialização em áreas como segurança energética, defesa, bioeconomia e minerais críticos. A entrada de investimento estrangeiro nesses setores seria negociada em troca de valor agregado, tecnologia, qualificação e fornecedores locais.

Flávio Bolsonaro defende marcos regulatórios estáveis, licenciamento ágil e atração de capital privado para terras raras. O programa também prevê transformar o Brasil em polo global de data centers sustentáveis, aproveitando a matriz elétrica renovável.

Lula propõe modernizar maquinários, ampliar a digitalização e usar IA na indústria. Para minerais críticos e terras raras, defende mapeamento, beneficiamento e agregação de valor, com inserção do país nas cadeias globais desses recursos.

Zema prevê atrair investimentos internacionais para a exploração e o processamento sustentável de terras raras e minerais de alto valor. Também propõe retomar o levantamento geológico do território nacional, com dados abertos e padrão internacional.

Renan Santos defende Zonas Econômicas Especiais (ZEEs), incluindo uma voltada para terras raras, além de uma PEC para classificar o setor como matéria de segurança nacional. O plano prevê aporte de R$ 20 bilhões em 10 anos, por meio do BNDES e de parceiros internacionais.

Augusto Cury propõe um programa para implantar 10 mil novas indústrias e atrair investimentos para chips e componentes elétricos. O projeto Petra BR prevê cadeias produtivas completas de terras raras e minerais estratégicos, da extração à fabricação de componentes tecnológicos.

Na área tributária, Lula defende consolidar a reforma tributária e vincular crédito público, assistência técnica, incentivos fiscais e compras governamentais à geração de empregos de qualidade. Flávio Bolsonaro propõe revisar a reforma para reduzir a carga sobre produção e consumo, além de desonerar exportações e investimentos.

Caiado prevê revisar benefícios tributários sem contrapartidas econômicas ou sociais. Zema propõe metas progressivas de redução da carga tributária e cálculo automatizado da tributação sobre empresas pela Receita Federal, com base na Nota Fiscal Eletrônica.

Renan Santos inclui a redução de R$ 104 bilhões em isenções e gastos tributários. Augusto Cury defende mudar a divisão federativa dos tributos para ampliar a parcela destinada aos municípios e avaliar os efeitos da reforma sobre micro e pequenas empresas.

Comércio exterior

Augusto Cury propõe ampliar as exportações de bens industrializados e de maior valor agregado, reduzindo a dependência de commodities. O programa Embaixada 4.0 prevê metas para abertura de mercados, atração de investimentos e apoio a exportadores, além do remanejamento de 20% do pessoal alocado nos EUA para reforçar a presença brasileira na Índia e em países emergentes da Ásia.

Lula defende diversificar mercados exportadores, ampliar acordos comerciais e aprofundar alianças no BRICS e no Sul Global. Caiado propõe acordos voltados à participação em cadeias globais de valor e maior presença no Sudeste Asiático, no Oriente Médio e na África.

Zema propõe a saída do Brasil do Brics, com manutenção das relações comerciais com os países integrantes, além do ingresso na OCDE e de mudanças no Mercosul para permitir acordos bilaterais diretos.

Renan Santos defende um uso pragmático do Brics, a desdolarização do comércio na América do Sul por meio de uma cesta de moedas liderada pelo real e uma rede de cooperação econômica com países da comunidade Lusófona.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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