Belo Horizonte, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Maciel vê pressão das despesas e prevê ajuste fiscal após eleição de 2026

CEO da AZ Quest afirma que o avanço dos gastos obrigatórios pode levar a juros de 40% e tornar inevitável a correção das contas públicas.

Maciel vê pressão das despesas e prevê ajuste fiscal após eleição de 2026
Foto: ANDRE DUSEK/ESTADÃO Foto: ANDRE DUSEK/ESTADAO

Walter Maciel, CEO da AZ Quest Investimentos, afirma que o principal risco para a economia brasileira está no avanço das despesas obrigatórias sobre a receita. Na avaliação dele, essa relação pode se inverter em um ano e meio, deixando o governo sem recursos e pressionando o Congresso, que perderia as emendas.

O executivo diz que o país está próximo da chamada dominância fiscal, situação em que a política monetária do Banco Central deixa de conter a inflação. Para Maciel, caso não haja correção das contas públicas, os juros podem chegar a 40% em 1,5 ano. Ele prevê deterioração econômica e possibilidade de caos social, além de afirmar que a população não suportaria repetir a experiência do fim dos anos 90.

Ajuste nas contas públicas

Maciel considera inevitável a realização de um ajuste fiscal, independentemente do resultado da eleição de 2026. Segundo ele, a mudança poderá ocorrer por decisão do governo eleito ou como resposta a uma crise econômica e política. “O ajuste fiscal vai ser no amor ou na porrada”, afirmou.

Na avaliação do CEO, o ajuste poderia reduzir os juros e melhorar a situação econômica. Ele estima que, com as contas organizadas, a taxa poderia cair para 7%, o real chegar a US$ 3 e empresas reduzirem o endividamento. Também prevê recuperação da bolsa, dos investimentos e do poder de compra.

Entre as medidas defendidas por Maciel estão mudanças em renúncias fiscais e benefícios sociais. Ele citou a Zona Franca de Manaus, o Perse, a Previdência, o salário mínimo, o BPC e o Bolsa Família. Para o executivo, seria possível rever regras de benefícios e limitar o crescimento de despesas até que as contas públicas fossem reorganizadas.

Eleição e cenário político

Maciel avalia que a polarização entre Lula e candidatos de centro-direita continua dominante, mas considera possível uma decisão no primeiro turno caso eleitores de outras candidaturas apoiem o nome com mais chances de vitória. Ele afirma que Flávio Bolsonaro não seria o candidato ideal, mas poderia vencer por causa do voto útil.

O CEO também diz ser difícil uma vitória de Lula no primeiro turno e afirma que a percepção sobre a economia tende a piorar até outubro. Ele relaciona essa avaliação ao custo dos juros para famílias e empresas e ao aumento da dívida pública.

Sobre Flávio Bolsonaro, Maciel não vê risco institucional decorrente da relação com o Supremo. Ele afirma que o senador tem perfil diferente do de Jair Bolsonaro e mantém relações pessoais com integrantes do Congresso, incluindo Jaques Wagner.

Visão sobre o exterior

Ao comentar o cenário internacional, Maciel defendeu maior aproximação do Brasil com os Estados Unidos e criticou a neutralidade diante da disputa entre americanos e chineses. Ele afirmou que os Estados Unidos estão se preparando para um ciclo de investimentos em inteligência artificial e citou US$ 700 bilhões aplicados pelas sete maiores empresas de tecnologia do país, com mais de 150 mil empregos criados.

Para o executivo, o Brasil poderia se beneficiar desse movimento. Ele destacou que a matriz energética brasileira é 92% renovável e avaliou que o país tem condições de se tornar um hub global de data centers. Também mencionou o potencial brasileiro na produção de alimentos e a posição entre os cinco maiores exportadores de petróleo do mundo.

Apesar disso, Maciel afirmou estar frustrado com as candidaturas e disse não identificar propostas para o país. Na avaliação dele, o Brasil tem fundamentos macroeconômicos positivos, mas pode ser prejudicado pela manutenção de gastos superiores à arrecadação.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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