Belo Horizonte, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
O radar da região e do país
Economia

Copom avalia corte da Selic em meio a inflação e pressão fiscal

Incertezas externas, subsídios aos combustíveis e projeções de inflação acima do teto da meta limitam o espaço para reduzir os juros.

Copom avalia corte da Selic em meio a inflação e pressão fiscal
Foto: Atta Kenare/AFP

O Comitê de Política Monetária (Copom) deve avaliar um novo corte de 0,25 ponto porcentual na taxa Selic em sua última reunião antes da eleição, marcada para terça-feira, 15. A expectativa predominante no mercado é de redução nessa magnitude, mas a cautela diante do cenário econômico recomenda não avançar além disso na condução dos juros.

A decisão ocorrerá em um ambiente de incerteza elevada. Na semana passada, o Banco Central Europeu elevou sua taxa de referência para 2,5% ao ano. Ao comentar a medida, a presidente da instituição, Christine Lagarde, afirmou: “Não debatemos nenhum tipo de trajetória futura, nem a probabilidade de isso ou aquilo acontecer”.

Pressões sobre a inflação

Entre os fatores que mantêm a pressão sobre os preços está o petróleo, que voltou a superar US$ 100 o barril na semana passada. O movimento foi associado a novos desdobramentos da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, sem previsão para o fim da tensão. A possibilidade de ocorrência do El Niño também aparece no cenário, com potencial de afetar safras e elevar os preços dos alimentos no Brasil e em outros países.

O governo tem usado subsídios para conter o repasse dos combustíveis ao consumidor. Na semana passada, o subsídio à gasolina passou de 44 centavos para 63 centavos por litro e foi prorrogado até 9 de outubro. Também há subsídios para etanol e diesel. Até agora, a política soma R$ 37,5 bilhões.

Embora a atividade econômica tenha desacelerado moderadamente nos últimos meses, as projeções de inflação para este ano permanecem em 5%, conforme o relatório Focus. O percentual está acima dos 4,5%, teto da meta de inflação.

O Copom só encontra espaço para uma possível redução da Selic porque ampliou o horizonte relevante da política monetária para o primeiro trimestre de 2028. Ainda assim, esse espaço é limitado. A autoridade monetária terá de considerar os efeitos de uma política fiscal expansionista, que pressiona a inflação e eleva a dívida pública, mesmo diante de sinalizações de ajustes fiscais futuros na campanha eleitoral.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Assine nossa newsletterAs principais notícias do dia no seu e-mail.