A síndrome de Capgras é um transtorno delirante de identificação em que a pessoa acredita que alguém próximo foi substituído por um impostor. Ela pode reconhecer o rosto, a voz e os gestos de um marido, esposa, filho ou dos próprios pais, mas ainda assim ter certeza de que aquela não é a pessoa verdadeira.
Essa convicção não corresponde a uma simples dúvida, brincadeira ou confusão passageira. A crença pode persistir e influenciar a maneira como a pessoa interpreta as situações e reage a quem está diante dela.
Quando reconhecer não produz familiaridade
Uma das hipóteses estudadas para explicar o fenômeno é a alteração na sensação de familiaridade. Nesse caso, a pessoa identifica corretamente o rosto de alguém conhecido, mas não sente a familiaridade esperada. A combinação entre o reconhecimento visual e a estranheza pode contribuir para a impressão de que aquela pessoa é uma impostora.
Essa não é a única explicação investigada. Um estudo publicado na revista Brain, com pessoas que apresentam a síndrome, indica que o Capgras pode envolver diferentes redes do cérebro.
Relação com outras condições
A síndrome é frequentemente associada à esquizofrenia, mas não significa necessariamente que a pessoa tenha esse diagnóstico. O fenômeno pode aparecer em diferentes condições psiquiátricas e neurológicas, como alguns transtornos psicóticos, demências, doença de Parkinson, demência com corpos de Lewy, epilepsia e alterações cerebrais provocadas por lesões ou outros problemas neurológicos.
A origem pode variar: em determinadas situações, o Capgras integra um quadro psiquiátrico; em outras, está ligado a mudanças neurológicas ou cognitivas, ou à atuação conjunta de fatores diferentes. Por isso, a presença do fenômeno, isoladamente, não permite determinar sua causa.
O Capgras também não deve ser confundido com a chamada síndrome do impostor. Nessa experiência, a pessoa duvida das próprias conquistas e teme que os outros descubram que ela não seria tão competente quanto aparenta. Trata-se de autodesconfiança, e não da crença de que alguém conhecido foi trocado por um impostor.
Investigação e tratamento
Não há um exame único para diagnosticar a síndrome. A avaliação médica considera quando a mudança começou, quais sintomas surgiram e o que pode estar relacionado a ela. Conforme o caso, podem ser indicados exames do cérebro, testes de memória e outras avaliações.
Também não existe um tratamento único. Quando o Capgras está associado a outro problema de saúde, a abordagem é direcionada a essa condição. As pesquisas sobre um tratamento específico ainda são limitadas. A orientação dos familiares pode ajudar a lidar com a situação sem confrontar a pessoa sobre a crença.
Uma mudança persistente na percepção, especialmente quando acompanhada de confusão, alucinações, alterações importantes de memória ou outros sinais neurológicos, merece avaliação profissional. O fenômeno evidencia que reconhecer alguém envolve não apenas identificar um rosto, mas também memória, percepção e sensação de familiaridade.



