O Corinthians apresentou à Caixa Econômica Federal uma proposta para quitar integralmente a dívida relacionada à construção da Neo Química Arena. O plano prevê a cessão dos naming rights do estádio ao banco estatal e será analisado pelo Conselho Diretor da instituição nesta terça-feira.
O débito do clube com a Caixa é de R$ 630 milhões, equivalente a 22,5% do endividamento total corintiano, de R$ 2,8 bilhões. Na semana passada, o presidente Osmar Stabile esteve na sede do banco, em Brasília, acompanhado de assessores jurídicos. Após a reunião, ele demonstrou otimismo com a possibilidade de acordo.
A diretoria estima que os direitos de nome da arena tenham valor anual de cerca de R$ 70 milhões. O montante supera os R$ 15 milhões corrigidos pagos pela Hypera Pharma desde 2020 pelo contrato vigente.
Pacote comercial e valores retidos
A proposta também inclui a transferência das contas do Corinthians para a Caixa, a administração da folha salarial dos funcionários, títulos de capitalização e cartões vinculados ao programa Fiel Torcedor. Para compensar a atual patrocinadora, o clube pretende oferecer à Hypera Pharma os direitos de nome do CT Joaquim Grava.
Durante as tratativas, o Corinthians pediu ainda o resgate imediato de R$ 27 milhões mantidos em uma conta de garantia desde o refinanciamento firmado em 2022. A diretoria quer direcionar o valor ao fluxo de caixa e solicita a suspensão temporária das parcelas mensais enquanto o acordo definitivo é discutido.
Negociação em meio à eleição
A tentativa de resolver o passivo ocorre durante o processo eleitoral do clube. Os sócios escolherão o presidente e os integrantes do Conselho Deliberativo em 28 de novembro, e Osmar Stabile disputará a reeleição. Conselheiros de oposição avaliam a iniciativa com cautela e associam a proposta à disputa eleitoral.
Desde a inauguração da arena, em 2014, o Corinthians destinou aproximadamente R$ 600 milhões ao financiamento da obra. A diretoria considera que a dívida limita o crescimento esportivo e pressiona as finanças do clube. Caso seja aprovada, a proposta poderá encerrar um contrato de amortização previsto para terminar em dezembro de 2041.



