Belo Horizonte, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Leão de pedra do Remo saiu de Macapá e virou símbolo no Baenão

Escultura foi feita no Amapá, transportada no porão de um navio e transferida para o gramado do Baenão em 1972.

A escultura de pedra que representa o Leão do Remo foi construída em Macapá, no Amapá, transportada para Belém no porão de um navio e instalada no Estádio Evandro Almeida, o Baenão. Ao longo das décadas, a peça deixou de ser apenas uma representação do mascote e passou a ocupar um lugar central na memória da torcida azulina.

A trajetória começou no final da década de 1950 e início dos anos 1960, quando Hermano Jucá, sobrinho de Cândido Jucá, morava em Macapá. Apaixonado pelo Remo, ele queria presentear o clube com uma escultura de um leão. Para isso, chamou um pedreiro para preparar a forma e contratou o português Antônio Pereira da Costa para esculpir o animal.

O trabalho foi concluído no final da década de 1960. O desafio seguinte era levar uma peça de pedra de Macapá a Belém. Naquele período, o navio Oiapoque fazia a rota entre as duas cidades. O dirigente remista Roberto Macedo, benemérito do clube, ajudou a viabilizar o transporte.

A travessia até Belém

O comandante do Oiapoque era parente de Hermano Jucá, mas torcia pelo Paysandu. Ele aceitou transportar a escultura, desde que ela fosse fixada no porão para não colocar os passageiros em risco. O comandante também exigiu que a diretoria do Remo fosse até a chamada Bacia, área próxima de Icoaraci onde as embarcações paravam, para retirar o Leão.

O historiador do Clube do Remo, Orlando Ruffeil, relatou que a escultura foi transportada “algemada” e “encarcerada” no porão do navio. Após a chegada a Belém, o Leão foi levado ao Baenão.

A primeira instalação não ocorreu à beira do gramado. A peça foi colocada na arquibancada voltada para a Avenida Rômulo Maiorana, abaixo da placa do Café Glória, em uma área que depois ficou conhecida como a da placa “O Mais Querido”.

A mudança para o gramado

A transferência ocorreu em 1972, quando o Remo passou a disputar o Campeonato Brasileiro da Primeira Divisão e ganhou projeção nacional. O trabalho foi coordenado por José Brito Gomes de Souza, dirigente do clube e engenheiro civil, com sua equipe.

A mudança alterou a relação da torcida com a escultura. Antes, o Leão era associado principalmente à arquibancada. No gramado, passou a ser reconhecido como um dos principais símbolos do Remo. Para Ruffeil, “Existem muitos Leões, mas azul, só tem um”.

A associação do clube com o animal, porém, começou antes da chegada da peça. Na década de 1940, o Remo enfrentou o São Cristóvão, do Rio de Janeiro, que havia vencido adversários em Belém, mas não conseguiu superar o time paraense. O jornalista e desportista Edgar Proença registrou em um jornal a expressão “O Leão Azul com suas garras aduncas foi o orgulho da cidade”.

O apelido ganhou força e, posteriormente, a escultura passou a dar forma à imagem do Leão Azul.

Fotos e memórias no Baenão

Desde os anos 1970, o Leão de pedra também se tornou um ponto de encontro para torcedores. Depois das partidas, a escultura era fotografada por torcedores, jornais e emissoras de televisão. O local passou a ser usado até em ocasiões especiais, como casamentos, quando noivos pediam autorização à diretoria para fazer registros ao lado da peça.

A relação com a torcida também aparece em lembranças de crianças que queriam ser fotografadas junto ao Leão. Ruffeil recorda o caso de um garoto que precisou convencer o avô, que não era remista, a acompanhá-lo ao estádio.

A escultura ainda esteve envolvida em episódios ligados à rivalidade local. Em uma partida entre Paysandu e Tuna Luso Brasileira, o jogador Albertinho colocou a camisa do Paysandu sobre o Leão após marcar um gol. Ruffeil criticou o gesto e afirmou que o atleta depois se arrependeu e pediu perdão.

O historiador comparou o episódio a uma atitude de Alcino, um dos maiores ídolos da história do Remo, durante um clássico Re-Pa. Segundo ele, Alcino enfrentou a torcida adversária em campo, enquanto Albertinho fez a provocação em uma partida da qual o Remo não participava.

Construído em Macapá, levado a Belém por uma rota fluvial e transferido da arquibancada para o gramado, o Leão de pedra passou a integrar a identidade do Remo e a memória de quem frequenta o Baenão.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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