Premier League, Bundesliga, LaLiga e Serie A divulgaram um comunicado conjunto em defesa de uma reforma na governança da Fifa. As ligas pedem maior participação de federações, confederações, clubes, jogadores e outros setores do futebol nas decisões da entidade, além de limites mais claros para os poderes da presidência.
A mobilização ganhou força após contestações à FIFA Forward Enterprise (FFE), proposta que previa a entrada de investidores privados nas operações comerciais da Fifa, incluindo direitos de torneios como a Copa do Mundo. O projeto foi retirado depois da reação de federações e confederações.
As ligas afirmam que a crítica não se limita a Gianni Infantino. O principal questionamento é a concentração, na presidência, de funções regulatórias, comerciais e políticas sem mecanismos de controle e equilíbrio considerados suficientes. Em julho, Kevin Lamour, então diretor de operações da Fifa, chamou a iniciativa de “o projeto de uma única pessoa”. Em 17 de agosto, menos de três semanas depois, a entidade demitiu o dirigente.
Calendário e propostas de mudança
Outro ponto de conflito é o Calendário Internacional de Jogos. As ligas questionam a ampliação dos períodos de interrupção das competições nacionais e dizem que as decisões são tomadas sem participação efetiva das partes afetadas. O comunicado afirma que apenas cerca de 1% dos jogadores profissionais disputa a Copa do Mundo e menciona uma denúncia apresentada à Comissão Europeia, em outubro de 2024, contra a condução do calendário.
Entre as medidas defendidas está a criação de um órgão permanente com representantes de federações, ligas, clubes e jogadores, com participação efetiva nas decisões. As entidades também pedem avaliações independentes para projetos de grande impacto e separação mais clara entre as funções regulatórias e comerciais da Fifa.
Em carta às associações-membro, Infantino reconheceu que a FFE causou preocupação por ter sido divulgada antes de passar por todas as instâncias previstas. Ele afirmou que o projeto não seguirá adiante, mas defendeu a busca por novas formas de ampliar os recursos destinados ao desenvolvimento do futebol.
O presidente da Fifa propôs uma avaliação externa e independente do modelo de governança para grandes projetos estratégicos, além de uma consulta com confederações, federações e outras partes envolvidas. A discussão deverá incluir as atribuições do presidente, do Bureau, do Conselho e do Congresso da Fifa. Eventuais mudanças nos estatutos terão de ser submetidas às 211 federações-membro.



