A Ponte Preta chega à partida contra o São Bernardo, neste domingo (6), sob o risco de ampliar para 20 jogos sua sequência sem vitórias na Série B. O duelo será disputado no Moisés Lucarelli, às 18h30. Com 10 pontos em 25 rodadas, o clube ocupa a lanterna da competição e pode voltar à terceira divisão após conquistar a Série C do Campeonato Brasileiro em 2025.
O resultado contra o São Bernardo pode estabelecer o maior jejum da Série B na era dos pontos corridos, iniciada em 2006. A equipe já igualou a marca do ABC, que ficou sem vencer por 19 partidas em 2015.
Greve e saída de jogadores
A crise esportiva se mistura aos problemas financeiros que atingem a Ponte Preta desde 2017, quando começaram os atrasos em salários e direitos de imagem. Na atual sequência sem vitórias, o time somou apenas três pontos, em empates com Botafogo-SP, Athletic e Náutico, e sofreu 16 derrotas.
A mais recente delas ocorreu em uma partida disputada sem o elenco principal. Os jogadores entraram em greve sob a justificativa de que os salários estavam atrasados havia mais de seis meses. Sem o grupo profissional, o técnico Gilson utilizou atletas da base para evitar uma derrota por WO contra o América-MG, no último domingo (30). A equipe resistiu no primeiro tempo, mas sofreu dois gols depois do intervalo. Foi a 19ª derrota da Ponte Preta na Série B.
Filipe Rino, advogado que representa jogadores participantes do movimento, afirma que atletas que estão no clube desde o começo da temporada trabalharam por cerca de oito meses e receberam o equivalente a apenas dois meses de salário, em pagamentos fragmentados. “O que foi incomodando os atletas não foi somente a questão dos atrasos mas também o abandono da diretoria”, disse Rino.
Os jogadores inicialmente pretendiam voltar às atividades somente depois da regularização dos pagamentos. Segundo o advogado, eles retomaram os treinos para evitar prejuízos ainda maiores à instituição e à torcida. A paralisação, no entanto, foi seguida pela saída de atletas que passaram a buscar na Justiça Desportiva a rescisão indireta dos contratos. Léo Gomes e Daniel Baianinho estão entre os casos recentes; o empréstimo de Baianinho terminou após decisão judicial.
Dívidas e plano para a SAF
A diretoria reconhece os atrasos e afirma que os atletas têm direito de protestar. O vice-presidente de futebol, Marco Antonio Eberlin, declarou: “Aquele que não recebe o salário tem o direito à greve, tem o direito à paralisação, como em qualquer outra profissão”. O presidente Luiz Antônio Alves Torrano também reconheceu a responsabilidade do clube e disse que a situação prejudica sua imagem.
De acordo com Eberlin, a Ponte Preta enfrenta uma dívida estimada em R$ 380 milhões, enquanto o passivo deixado pela antiga gestão teria chegado a R$ 400 milhões. O dirigente afirma ainda que o déficit mensal é de R$ 2,8 milhões. A diretoria atribui o quadro a débitos acumulados por diferentes administrações, com origem nos anos 1990 e auge em 2021.
O clube também foi rebaixado no Campeonato Paulista deste ano, depois de somar apenas 1 ponto em 8 jogos. No futebol nacional, a campanha atual ocorre após o título inédito da Série C, que havia sido associado à expectativa de aliviar as finanças por meio do acesso.
Como alternativa, a diretoria discute transformar o departamento de futebol em SAF. A proposta prevê R$ 1 bilhão em investimentos: R$ 300 milhões para o pagamento de dívidas, R$ 300 milhões para o futebol e as categorias de base ao longo de dez anos e R$ 400 milhões para modernizar o Moisés Lucarelli e o centro de treinamento.
O Conselho da Ponte Preta se reunirá no próximo dia 19 para votar a alteração estatutária necessária à transformação. A decisão não aprovará, por si só, um investidor ou um contrato de SAF. O primeiro passo, segundo Eberlin, é autorizar a constituição da estrutura para o departamento de futebol. Torrano afirma que a proposta não prevê a venda integral da instituição.



