CANOAS — Caramelo e Hora Extra já conseguem se ver em piquetes vizinhos, mas ainda não foram colocados juntos. A aproximação entre os animais só poderá avançar depois que a égua concluir o período de adaptação, passar por exames e tiver o ciclo reprodutivo acompanhado.
Hora Extra chegou ao Hospital Veterinário da Ulbra na semana passada. Crioula de seis anos, ela veio de São Sebastião do Caí e passou a receber cuidados para recuperar a condição física. Como vivia solta no campo, chegou mais magra e com bastante pelagem. A equipe prevê cerca de uma semana para essa melhora, com alimentação complementar e observação da saúde.
A médica veterinária Laura Cezimbra, diretora do hospital, informou que a égua está no piquete e permanece solta no campo. “Chegou super bem, está ótima de saúde”, afirmou. Segundo ela, os exames serão realizados durante os primeiros dias de adaptação à rotina da instituição.
Contato entre os animais
Mesmo separados, os dois equinos já tiveram contato visual e permaneceram próximos. Caramelo demonstrou interesse desde os primeiros momentos, enquanto Hora Extra se manteve calma e receptiva. A reação do cavalo foi considerada positiva pela equipe porque sua aptidão reprodutiva ainda não havia sido observada.
A reprodução, caso avance, será feita por monta natural e dependerá do período adequado do ciclo da égua. Se houver fecundação, a gestação deverá durar aproximadamente 11 meses. A escolha de Hora Extra considerou o bem-estar animal e a distância até Canoas, já que viagens mais longas poderiam ser necessárias para transportar animais de outras propriedades.
Motivo do projeto
A proposta de Caramelo ter um filhote surgiu da relação criada entre o cavalo e o público que acompanha sua trajetória desde o resgate. A iniciativa não está ligada à preservação genética, mas ao significado atribuído ao animal depois da enchente e ao interesse das pessoas por novas etapas de sua vida.
Caramelo vive no campus da Ulbra, em Canoas, e tem cerca de 11 anos. Por ser um garanhão — macho não castrado —, não pode conviver livremente em grupo, embora mantenha contato próximo com outros equinos. À noite, fica em um espaço protegido; durante o dia, permanece em um piquete próprio de 250 metros quadrados.
O cavalo foi resgatado pelo Corpo de Bombeiros de São Paulo, com acompanhamento de veterinários. Ele precisou ser sedado durante o transporte no bote e depois recebeu medicação no hospital veterinário para repor o líquido perdido enquanto permanecia ilhado. O cavalo crioulo é considerado animal-símbolo do RS e patrimônio cultural desde 2002.
