Belo Horizonte, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Coaf aponta repasse extra de US$ 1,6 milhão de Vorcaro para filme sobre Bolsonaro

Depósito foi feito em setembro de 2025 ao fundo que administrava recursos de “Dark Horse”, produção sobre Jair Bolsonaro.

Coaf identifica que Vorcaro repassou R$ 8 milhões extras para produção de filme sobre Bolsonaro
Foto: Jornal Nacional/Reprodução

O Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) identificou um repasse adicional de US$ 1,6 milhão feito por Daniel Vorcaro ao fundo encarregado de administrar, nos Estados Unidos, os recursos do filme “Dark Horse”.

De acordo com a apuração divulgada, em 16 de setembro de 2025, o banqueiro Daniel Vorcaro transferiu mais de US$ 1,6 milhão ao Havengate Development Fund, fundo sediado no Texas, nos Estados Unidos. A estrutura era administrada por Paulo Calixto, advogado e amigo de Eduardo Bolsonaro, que também mora no Texas.

A Polícia Federal teve acesso aos dados do Coaf, órgão responsável pela fiscalização de transações financeiras, e confirmou o depósito. A transferência ocorreu oito dias depois de Flávio enviar uma mensagem ao banqueiro para cobrar parcelas atrasadas destinadas ao financiamento de “Dark Horse”, filme que retrata a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, já declarou que o dinheiro depositado no Havengate foi encaminhado depois à produtora Go Up, responsável pela obra. A informação sobre o repasse de setembro, porém, entra em contradição com uma declaração dada por Flávio em entrevista à GloboNews em 2026. Na ocasião, ele afirmou que o último pagamento feito por Vorcaro tinha ocorrido em maio de 2025, quatro meses antes do registro do Coaf.

Com a nova transferência, o montante enviado por Vorcaro para “Dark Horse”, conforme a apuração, alcançou US$ 12,3 milhões, valor próximo ao custo do filme. Em junho de 2026, a produtora Go Up informou que as despesas somavam US$ 13,393 milhões.

Possível pagamento adicional

Também há indícios de que Vorcaro tenha feito outro pagamento. Uma nova troca de mensagens entre o publicitário Thiago Miranda, que ajudou a levantar recursos para a produção, e Daniel Vorcaro ocorreu em 22 de outubro de 2025. Miranda perguntou se o banqueiro conseguiria liberar as parcelas do filme, sob o risco de a produção ser interrompida. Vorcaro respondeu: “Sim. Liberei mais uma hoje”.

Miranda afirmou que avisaria os responsáveis e acrescentou que Flávio também pretendia telefonar para Vorcaro. Em seguida, o banqueiro pediu que o publicitário apresentasse a Flávio suas desculpas pelos “atrasos” nas parcelas. Não foi confirmado se o depósito de outubro chegou a ser efetivado. No mês seguinte, Vorcaro foi preso pela primeira vez.

A Polícia Federal investiga se todo o dinheiro foi realmente destinado à produção de “Dark Horse”. Flávio Bolsonaro foi cobrado diversas vezes a apresentar documentos sobre os depósitos e os gastos do filme, mas esse material não foi divulgado.

Nesta terça-feira (1º), o candidato do PL à Presidência voltou a afirmar que uma perícia contratada pela produtora não encontrou irregularidades nos pagamentos: “Não tem absolutamente nada de errado em um patrocínio privado para um filme privado sobre o presidente Bolsonaro. Não houve nenhuma contrapartida por parte de qualquer autoridade pública, onde eu me incluo. Então, essas questões técnicas, desculpa, têm que perguntar para a produtora, eu não tenho condição de falar”.

A defesa de Thiago Miranda não se manifestou.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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