A Justiça aceitou a denúncia contra Wagno Arezi Henika, acusado de matar a ex-enteada Alice Levandoski Nitz, de 14 anos. Ele se tornou réu por feminicídio. Conforme o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), o crime ocorreu em 17 de agosto, após um desentendimento relacionado a questões financeiras.
A acusação afirma que o assassinato ocorreu em um contexto de violência doméstica e familiar contra a mulher, por motivo fútil e com recurso que dificultou a defesa da vítima. Na denúncia, o MPRS relata que o homem atingiu a adolescente com um martelo e depois usou uma faca, provocando a morte dela ainda no local.
Relação familiar
O inquérito da Polícia Civil foi concluído em 27 de agosto. Segundo a corporação, Alice considerava Wagno como pai e manteve contato com ele mesmo depois da separação entre o homem e a mãe dela, cerca de um mês antes do crime. Os dois moravam no mesmo bairro, a poucas quadras de distância, e a presença da adolescente na casa do ex-padrasto era habitual.
Alice havia perdido o pai na infância. Wagno passou a exercer uma figura paterna desde que começou o relacionamento com a mãe da menina, quando ela tinha um ano. A polícia informou que ele mantinha uma relação amigável com a ex-companheira e as filhas dela e não tinha histórico de desavenças com a mulher.
A delegada Dieli Caumo afirmou que a perícia não encontrou vestígios de violência sexual e apontou as facadas como causa da morte. Em depoimento, Wagno confessou ter matado a ex-enteada. Segundo a delegada, ele disse que “perdeu a cabeça” durante uma discussão. Testemunhas também relataram uma postura de controle do homem sobre a adolescente, descrita pela policial como próxima de violência psicológica.
Atividades da adolescente
Alice estudava na Escola Estadual de Ensino Fundamental Jardim do Trabalhador desde a educação infantil. A comunidade escolar a descrevia como inteligente e talentosa. Ela declamava poesias, participava do grupo de dança tradicionalista Oigalê e jogava futsal no Fênix FC Futsal Feminino.
A vice-diretora Karina Belotti Cenci afirmou que a jovem era “cheia de vivacidade”. A paixão pelo tradicionalismo também era compartilhada pelos três irmãos de Alice, que passaram pelo projeto da escola.



