FOZ DO IGUAÇU — A prefeitura apresentou à Justiça um plano emergencial para ampliar a capacidade dos cemitérios públicos da cidade, após a falta de vagas gratuitas deixar corpos aguardando sepultamento. O projeto prevê 165 novos espaços, com execução principalmente sob responsabilidade da Camis, concessionária que administra os cemitérios municipais.
A proposta estabelece prazos diferentes para cada frente de trabalho. No Cemitério Jardim São Paulo, a retirada de 19 árvores mortas ou inadequadas deve liberar 52 vagas em padrão jardim em até 5 dias. A prefeitura informou que fará o plantio compensatório de árvores nativas.
Também estão previstas a construção de um novo andar no gavetário do Cemitério Três Lagoas, com 5 vagas verticais em até 7 dias, e a utilização de uma área sem uso na ala islâmica do Jardim São Paulo, onde devem ser criados 20 jazigos em até 15 dias. Em até 30 dias, a extensão lateral das gavetas do Três Lagoas deve acrescentar 88 vagas na primeira fase da obra.
Corpos aguardam destinação
Um homem de 62 anos morreu em 10 de agosto e permanece sob custódia da Polícia Científica, à espera de uma vaga gratuita. Outros três corpos estão no Hospital Municipal Germano Lauck nas mesmas condições.
O município foi intimado em 9 de setembro, após a Justiça cobrar providências. O plano emergencial também determina a criação de um canal direto entre a prefeitura, a Polícia Científica e o Serviço de Verificação de Óbitos (SVO). Pela medida, todo corpo liberado deverá ser sepultado em até 24 horas.
A crise é discutida judicialmente desde junho, quando a Camis acionou o município para relatar a falta de vagas. Em 25 de agosto, a empresa afirmou que o problema havia piorado e que havia corpos em câmaras frias.
O juiz Rogério de Vidal Cunha, do 3º Juizado Especial da Fazenda Pública de Foz do Iguaçu, apontou agravamento do esgotamento dos espaços e risco sanitário. Em julho, uma tentativa de abrir vagas por meio de exumações no Cemitério Parque Nacional liberou apenas 1 espaço entre 10 jazigos.
Além da resposta imediata, a prefeitura apresentou um plano estrutural para criar mais de 9,5 mil vagas, principalmente com a ampliação do Jardim São Paulo. A proposta ainda aguarda homologação judicial.
A Camis informou que o caso está dentro do prazo regular de tramitação e que entregará à Justiça os esclarecimentos e documentos necessários. A empresa também declarou acompanhar o processo com sua assessoria jurídica. Paralelamente, a prefeitura abriu procedimento administrativo para apurar possíveis descumprimentos do contrato de concessão. A Camis nega irregularidades e afirma ter alertado o município várias vezes sobre a falta de vagas.



