Jon Lee Anderson, jornalista da revista The New Yorker, afirma que não descartaria uma interferência de Donald Trump na eleição brasileira. Para ele, o Brasil ocupa posição importante nos planos do presidente americano para ampliar a influência dos Estados Unidos no Hemisfério Ocidental.
Anderson relaciona esse interesse à disputa com a China e à segurança nacional dos Estados Unidos. Segundo o jornalista, a aproximação de Luiz Inácio Lula da Silva com Pequim tornou o Brasil uma peça relevante para Washington. Ele também citou a possibilidade de um futuro governo brasileiro permitir a atuação de forças paramilitares americanas na Amazônia contra narcotraficantes.
Relação com Bolsonaro e cenário eleitoral
O jornalista considera que a dinâmica geral ainda favorece Jair Bolsonaro, embora veja ambiguidade no comportamento público de Trump em relação a Lula e ao ex-presidente brasileiro. Anderson mencionou a proximidade de Eduardo Bolsonaro com pessoas ligadas à Casa Branca e a disputa, nos tribunais americanos, sobre decisões de Alexandre de Moraes relacionadas à rede social X.
Na avaliação de Anderson, o Brasil vive um período de incerteza. Ele disse que as pesquisas indicavam uma disputa equilibrada entre Lula e Flávio Bolsonaro, mas ponderou que levantamentos podem variar e ter margem de erro. Para o jornalista, Lula provavelmente venceria o primeiro turno, em 4 de outubro, enquanto os candidatos de centro-direita poderiam apoiar Flávio no segundo turno.
Anderson comparou a ascensão de Bolsonaro ao movimento liderado por Trump nos Estados Unidos. Segundo ele, Bolsonaro tentou reverter sua derrota eleitoral por meio de uma tentativa de golpe, enquanto as instituições brasileiras, ao menos aparentemente, prevaleceram. O jornalista afirmou que uma eventual vitória de Flávio poderia levar à retirada do pai da prisão domiciliar e a novas ações contra o Supremo Tribunal Federal.
Avaliação sobre Alexandre de Moraes
Anderson disse que ainda não formou uma opinião definitiva sobre as alegações envolvendo Moraes e Daniel Vorcaro. Ele afirmou que pretende investigar o caso mais de perto e considera cedo para concluir se as acusações são verdadeiras ou falsas.
Ao mesmo tempo, o jornalista declarou que Moraes está do lado certo da história, mas lembrou que ouviu advertências sobre o perfil linha-dura do ministro quando preparava seu trabalho. Anderson comparou a situação à trajetória de Rudy Giuliani, que, segundo ele, passou de figura admirada a personagem amplamente criticado.
Para o jornalista, os escândalos e as acusações envolvendo diferentes setores do sistema político podem aumentar a confusão dos eleitores. Ele também afirmou que a instrumentalização das redes sociais, com mensagens disparadas na véspera das eleições, se tornou um fator relevante nas disputas políticas.
Anderson avaliou ainda que a politização das instituições democráticas nos Estados Unidos serve de alerta para o Brasil. Ele citou a Suprema Corte americana e disse que a nomeação de juízes por presidentes pode alterar o equilíbrio institucional quando acompanhada de forte alinhamento político.
Na visão do jornalista, a eleição brasileira será especialmente importante por ocorrer durante o mandato de Trump. Uma eventual aliança entre um governo de Bolsonaro e os Estados Unidos, afirmou, poderia ampliar a influência americana sobre a América Latina.



