A candidata ao Senado pelo Paraná Cristina Graeml (PSD) afirmou que pretende propor o fim do Fundo Eleitoral caso seja eleita. Ela também defendeu que candidatos possam receber doações de eleitores e empresários.
A declaração ocorreu após uma pergunta sobre os R$ 3,5 milhões recebidos por ela do fundo para a campanha deste ano. Em 2024, quando disputou a Prefeitura de Curitiba, Graeml havia declarado ser contra o uso de recursos públicos em campanhas.
A candidata afirmou que precisa viajar pelo interior do estado durante a campanha e que, pelas regras atuais, não teria quem financiasse esses deslocamentos. Ela disse que pretende participar do processo conforme a legislação vigente para, depois de eleita, propor a mudança.
Temas discutidos na entrevista
Graeml também foi questionada sobre as quatro trocas partidárias realizadas em pouco mais de um ano. Ela passou por PMB, Podemos, União Brasil e PSD. Segundo a candidata, suas pautas e seus princípios permaneceram os mesmos, enquanto as mudanças foram motivadas pelas circunstâncias políticas de cada legenda e pela exigência de filiação partidária para disputar eleições.
Sobre as críticas feitas ao PSD durante as eleições de 2024, afirmou que os contextos mudaram e disse não existir partido de direita no Brasil. Ela declarou que sua aliança atual é com o grupo do governador Ratinho Junior e que a fala anterior foi retirada de contexto.
A candidata também respondeu sobre ter chamado o sistema político de apodrecido após perder a eleição de 2024 e, posteriormente, afirmado que era uma honra integrar o grupo de Ratinho Junior. Na ocasião, ela havia enfrentado Eduardo Pimentel (PSD), candidato apoiado pelo governador. Graeml disse que continua fazendo críticas ao sistema e que mantém coerência no discurso.
A respeito da escala 6x1, cuja proposta foi aprovada na quarta-feira (2) pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Graeml afirmou que os empregos devem ser preservados antes da ampliação dos dias de descanso. Ela avaliou que micro e pequenos empresários podem não conseguir arcar com novas contratações e defendeu que o Senado discuta primeiro a redução da carga tributária sobre o trabalho.
STF, clima e políticas para mulheres
Graeml declarou ser favorável ao impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e afirmou que a Constituição precisa ser preservada. Também classificou o cenário brasileiro como um estado de exceção, citando casos de censura a jornalistas e usuários de redes sociais. Para ela, os abusos do STF ocorrem porque o Senado não fiscaliza.
Ao abordar eventos climáticos extremos no Paraná, a candidata defendeu o fortalecimento dos órgãos públicos, sistemas de alerta, tecnologia e informação para avisar a população sobre riscos. Também citou a necessidade de moradias mais resistentes e o tornado de Rio Bonito do Iguaçu. Sobre a legislação ambiental, disse que uma nova lei não resolveria o problema neste momento.
Nas políticas para mulheres, Graeml afirmou que suas propostas de 2024 já tratavam do tema. Ela citou a falta de creches como um problema que afeta diretamente as mães que trabalham e disse que pretende atuar na proteção de mulheres vítimas de violência.
Por fim, reafirmou críticas aos atuais senadores do Paraná, que considera omissos. Como exemplo, mencionou o voto favorável à indicação de Flávio Dino para o STF e afirmou acreditar que a maioria dos paranaenses não concordava com a escolha.



