SÃO PAULO — O PL de São Paulo concentrou a propaganda eleitoral na televisão em candidaturas femininas na primeira semana da campanha para deputado federal e estadual. Entre os nomes exibidos esteve Sophia Barclay, que se define como uma mulher trans de direita anti-woke.
No dia 28, primeiro dia do horário eleitoral, o partido apresentou apenas candidatas à Câmara e à Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. No dia seguinte, o espaço de 2 minutos e 15 segundos destinado aos postulantes a deputado foi ocupado por Rosana Valle, Rita Zambelli, Katia Sastre e Tatiane Costa. Cada uma apareceu em inserções de cerca de 30 segundos.
Na noite de segunda (31) e na terça (1º), todas as peças de candidaturas a deputado federal do PL veiculadas em São Paulo foram de mulheres. Na quarta (2) e na noite de quinta (3), porém, os anúncios exibidos eram de candidatos homens.
Entre as candidatas, a defesa dos direitos das mulheres e das crianças aparece como tema recorrente. Algumas também ressaltam posições conservadoras em pautas de costumes. É o caso de Eduarda Campopiano, vereadora de Praia Grande e candidata a deputada estadual, que se apresenta na propaganda como a maior inimiga das feministas.
Candidaturas e regras eleitorais
O PL registrou 71 candidaturas a deputado federal em São Paulo, sendo 24 de mulheres, o equivalente a 33,8% do total. Para a Assembleia Legislativa, foram 95 candidaturas, das quais 30 são femininas, ou 31,58%. As duas proporções estão acima do mínimo de 30% previsto na Lei das Eleições.
A distribuição do horário eleitoral segue uma regra do Tribunal Superior Eleitoral: a participação das mulheres na propaganda deve corresponder à proporção de candidaturas femininas registradas pela chapa. A verificação é semanal, e os partidos não podem concentrar anúncios de mulheres no começo da campanha para compensar a exibição de homens no fim.
A regra também se relaciona ao financiamento eleitoral. Em 2018, o Supremo Tribunal Federal determinou que pelo menos 30% dos recursos do fundo partidário fossem destinados a candidatas. Meses depois, o TSE aplicou a mesma proporção ao fundo eleitoral e ao tempo de propaganda gratuita no rádio e na televisão.
A cientista política Débora Thomé afirma que a decisão alterou a relação dos partidos com as candidaturas femininas e estimulou investimentos em nomes competitivos. Segundo ela, o PL fez um esforço para ampliar a participação de mulheres nos últimos anos, impulsionado por Michelle Bolsonaro.
Para o advogado Fernando Neisser, professor de direito eleitoral na Fundação Getulio Vargas, o destaque dado às candidatas pode funcionar como uma tentativa de aproximação com as eleitoras. “Pode ser um teste que eles estão fazendo, mas certamente estão acima do mínimo necessário”, afirmou.
Disputa pelo voto feminino
A estratégia paulista acompanha a campanha nacional de Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência. Parte relevante de seu horário é voltada às mulheres, com a participação de sua mulher, Fernanda. Em um programa exibido no dia 29, ela afirmou: “Reeduquei ele”.
Em outro comercial, Flávio se apresenta como marido de Fernanda e pai de Luísa e Carol. O candidato também diz que, em sua casa, quem manda são as mulheres e associa a melhora do país ao fortalecimento e à vitória delas.
Na pesquisa Datafolha mencionada na campanha, Flávio aparece com 36% dos votos entre os homens e 31% entre as mulheres. Lula tem 38% entre os homens e 39% entre as mulheres. O percentual de indecisos é de 4% entre as mulheres e 2% entre os homens. Já os votos brancos ou nulos somam 7% entre as mulheres e 5% entre os homens.
Do lado de Luiz Inácio Lula da Silva, a primeira-dama, Rosângela Lula da Silva, conhecida como Janja, atua como porta-voz dos direitos das mulheres. Ela participou do primeiro programa eleitoral, depois das falas iniciais de Lula e do vice, Geraldo Alckmin.
No terceiro dia, a campanha de Lula exibiu um programa inteiro dirigido ao eleitorado feminino. A peça começa com uma gestante que descobre esperar uma menina e passa a ouvir frases machistas atribuídas a integrantes da família Bolsonaro. O vídeo termina com uma crítica a Flávio e Jair Renan, seguida da afirmação de que o presidente Lula não se cala diante da violência contra as mulheres.



