A Copel, privatizada em 2023 durante o governo de Ratinho Junior, foi um dos principais pontos de divergência entre Requião Filho (PDT), Sandro Alex (PSD) e Sergio Moro (PL) na disputa pelo governo do Paraná em 2026. Saúde, escolas cívico-militares, segurança pública e combate à corrupção também estiveram entre os temas centrais das campanhas, iniciadas em 16 de agosto.
Ataques nas redes e estratégias eleitorais
Nos últimos dias da campanha, os candidatos usaram as redes sociais para divulgar cortes de debates, memes, acusações e respostas a adversários. Também foram apresentados dezenas de pedidos ao Tribunal Regional Eleitoral do Paraná para retirar publicações consideradas ataques.
Requião Filho concentrou parte das postagens no debate da RPC e afirmou que Moro e Sandro Alex demonstraram tensão e falta de preparo no confronto. Embora tivesse o apoio de Luiz Inácio Lula da Silva e do PT, a imagem do presidente apareceu pouco na campanha. O candidato adotou uma postura crítica ao governo de Ratinho Junior e defendeu a mudança de políticas estaduais.
Sandro Alex explorou principalmente os embates com Sergio Moro e reforçou críticas a Requião Filho, a quem chamou de candidato da burocracia. Escolhido por Ratinho Junior para representar a chapa governista, apresentou-se como defensor da continuidade da gestão estadual.
Moro associou Sandro Alex à esquerda e Requião Filho ao PT. Durante a campanha, vinculou sua candidatura à família Bolsonaro, declarou apoio a Flávio Bolsonaro para a Presidência e se apresentou como o candidato ligado ao combate à corrupção e à direita no Paraná.
Agendas pelo estado
Curitiba foi a cidade com maior concentração de atividades dos três candidatos. Requião Filho também percorreu cidades da Região Metropolitana e visitou mais de 30 municípios de diferentes regiões, entre eles Londrina, Maringá, Umuarama, Foz do Iguaçu, Cascavel, Palmas, Ponta Grossa, Guarapuava, União da Vitória e Paranaguá.
Sandro Alex informou ter passado por cerca de 80 cidades, com maior presença em Curitiba, na Região Metropolitana, no Oeste e no Norte do Paraná. Moro cumpriu 28 dias de compromissos na capital, além de cinco dias em Maringá, onde nasceu, três dias em Ponta Grossa e dois dias em Guarapuava.
Principais propostas
Requião Filho defendeu o fim do modelo cívico-militar, sem fechar as escolas, mas transferindo sua gestão para civis. Também propôs buscar alternativas para reverter a privatização da Copel e ampliar a fiscalização sobre os serviços da empresa.
Na saúde, o candidato falou em criar centros de acolhimento para mulheres inspirados na Casa da Mulher Brasileira, com atendimento policial, social e psicológico. Ele também propôs parcerias com santas casas e hospitais filantrópicos para garantir unidades de referência em cada microrregião, inclusive para atendimentos de média e alta complexidade.
Outra proposta foi criar uma porta única na Secretaria de Indústria e Comércio para centralizar a abertura e a expansão de empresas. Requião Filho afirmou que pretende usar inteligência artificial e outras tecnologias para reduzir a burocracia.
Sandro Alex prometeu entregar mais de 100 obras hospitalares em andamento, ampliar o programa Opera Paraná e realizar mais de mil cirurgias em um ano. Também propôs unificar os telefones de emergência da Polícia Militar, do Samu, da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros, com apoio de inteligência artificial.
Na educação, afirmou que ampliaria para 500 o número de escolas cívico-militares e disseminaria escolas públicas bilíngues. Em relação à energia, defendeu investimentos para conectar o homem do campo ao sistema trifásico e a criação de uma Secretaria Estadual de Energia.
O candidato do PSD ainda prometeu um concurso público para contratar dois mil profissionais para as forças de segurança. A meta apresentada foi colocar ao menos mil homens por ano nos quadros dessas corporações, além de ampliar investimentos em inteligência e equipamentos.
Moro propôs criar uma Agência Estadual de Combate à Corrupção para fiscalizar possíveis fraudes em licitações e casos de enriquecimento ilícito. A diretoria teria mandato de quatro anos, segundo a proposta, para reduzir pressões políticas.
Na segurança pública, defendeu a construção de um presídio estadual de segurança máxima, chamado por ele de Cárcere Duro, sem visita íntima ou contato externo. O candidato afirmou que a unidade poderia receber condenados por crimes violentos, incluindo feminicídio.
Sobre a Copel, Moro disse não ser contrário à privatização, mas defendeu a cobrança de planos de investimento para melhorar os serviços e o ressarcimento de prejuízos causados por quedas de energia. Ele também propôs uma plataforma digital para acompanhar valores de pedágios, obras e cronogramas nas rodovias administradas por concessionárias.
Na saúde, a proposta foi criar a tabela SUS Paranaense, com complementação estadual aos valores pagos pelo SUS a hospitais privados e profissionais. A ideia, segundo Moro, seria inspirada na tabela SUS Paulista.



