RIO GRANDE DO SUL — A eleição para o governo do estado chega ao primeiro turno com alto índice de indecisão entre os eleitores e uma campanha concentrada na Região Metropolitana de Porto Alegre. Neste domingo, 8,5 milhões de pessoas vão às urnas nas 497 cidades gaúchas para escolher entre sete candidatos ao governo, 13 ao Senado e centenas de concorrentes nas eleições proporcionais.
Indecisão e concentração regional
Em pesquisa da Quaest divulgada no final de agosto, o Rio Grande do Sul registrou a maior taxa de indecisão do país na disputa presidencial. O estado também apareceu com o segundo maior índice de eleitores indecisos na pesquisa estimulada para o governo e com o quarto maior percentual na consulta espontânea.
No levantamento mais recente, divulgado a 10 dias da votação, 1 em cada 4 eleitores ainda não sabia em quem votar quando os candidatos eram apresentados. Na pesquisa espontânea, em que os nomes não são mostrados, a indecisão chegava a 61%. Além disso, 33% afirmavam que poderiam mudar o voto até o dia da eleição.
A dificuldade de avançar pelo Interior aparece também na distribuição das agendas. Entre 16 de agosto e 16 de setembro de 2026, Gabriel Souza, Juliana Brizola, Luciano Zucco e Marcelo Maranata não estiveram em 445 dos 497 municípios do estado. Porto Alegre e Esteio foram os municípios mais visitados, seguidos por outras cidades da Região Metropolitana. Não houve agendas na Fronteira Oeste nem em algumas cidades com mais de 100 mil habitantes.
Alianças nos debates
Zucco e Juliana, líderes nas pesquisas desde as convenções partidárias, escolheram um ao outro para os debates sempre que tiveram essa possibilidade, inclusive no encontro da RBS TV realizado antes da eleição. Em vez de concentrar o confronto nas candidaturas nacionais de Flávio Bolsonaro e Lula, que os dois representam no estado, eles direcionaram as críticas à administração de Eduardo Leite, governador eleito pela primeira vez em 2018.
Gabriel e Maranata também trocaram críticas durante os debates e acusaram os dois adversários de não participarem de encontros organizados por associações de setores econômicos do Rio Grande do Sul.
Na disputa pelo Senado, candidatos da mesma chapa fizeram alianças nos debates, em vez de priorizarem o confronto. Foi o caso de Frederico Antunes e Germano Rigtto, da chapa de Gabriel; Manuela d'Ávila e Pimenta, da chapa de Juliana; Marcel van Hattem e Sanderson, da chapa de Zucco; e Milton Cardoso e Renato Jaguarão, da chapa de Maranata.
Temas e propostas
Enchentes, saúde e educação estiveram entre os assuntos mais debatidos. Enchentes e saúde apareceram nas duas rodadas da Quaest como os principais problemas do estado e também foram os temas mais tratados no debate da RBS TV.
Gabriel Souza destacou obras de proteção contra cheias previstas no Plano Rio Grande, projeto do governo Eduardo Leite criado em resposta às enchentes e para a prevenção às mudanças climáticas. Na saúde e na educação, citou os programas SUS Gaúcho e Todo Jovem na Escola e prometeu zerar a fila da saúde no primeiro mandato.
Juliana Brizola mencionou projetos aprovados durante sua atuação como deputada estadual, entre eles o Pró-Hospitais, e criticou a fila de espera na saúde. Para a educação, defendeu as escolas de tempo integral, associadas à gestão de seu avô, Leonel Brizola. Na área de proteção contra cheias, propôs sistemas integrados de alertas precoces e monitoramento das bacias hidrográficas em tempo real.
Zucco criticou a espera por exames, consultas e cirurgias e o regime de progressão parcial. Ele defende o modelo cívico-militar de ensino. Para a prevenção às mudanças climáticas, propôs ampliar e profissionalizar a Defesa Civil, com operação ininterrupta, além de impedir a reconstrução de casas em áreas de risco.
Maranata afirmou em seu plano de governo que pretende “tratar a proteção contra cheias como prioridade absoluta”. Também propôs atualizar estudos e projetos das cinco principais bacias ligadas à proteção metropolitana e recuperar diques, comportas, casas de bombas, canais e sistemas de drenagem. Na saúde, defendeu a descentralização da estrutura estadual de Porto Alegre, com sete polos regionais de regulação. Para a educação, propôs escolas empreendedoras.



