O historiador paranaense Rafael Gustavo Pomim Lopes reúne mais de quatro mil materiais relacionados às eleições dos últimos 100 anos. O acervo inclui objetos de campanhas, documentos eleitorais e peças de diferentes países, partidos e tipos de disputa.
A coleção começou em 2000, quando Rafael ainda era criança. Ele guardava santinhos de candidatos que frequentavam o bar de sua mãe. Com incentivo do pai, passou a colar os papéis em um caderno, como em um álbum de figurinhas.
Entre os itens reunidos estão lixa de unha, tábua de carne, pente de cabelo, bottom, ursinho de pelúcia, cinzeiro, caixa de fósforos, louças, cadeado e ioiô personalizados com nomes de candidatos. O acervo também tem títulos de eleitor antigos, inclusive de um período em que as mulheres passaram a votar, além de uma urna de lona usada para receber votos impressos antes das urnas eletrônicas.
Há ainda materiais cuja distribuição é proibida por lei há 20 anos. Rafael consegue novas peças por meio de candidatos, amigos e familiares, além de leilões on-line e compras pela internet. Ele participa de um grupo com 26 colecionadores de várias regiões do país, que trocam itens encontrados durante os períodos eleitorais.
Peças raras e registros históricos
Entre os objetos mais antigos está um cartão de agradecimento distribuído em 1947 por Rosi Pinheiro Lima, apresentada como a primeira mulher eleita deputada estadual do Paraná. A peça foi comprada recentemente em uma casa de leilões e é considerada pelo colecionador um item raro.
A coleção também reúne alguns dos primeiros títulos de eleitoras do Paraná e cédulas de votação distribuídas por candidatos nos anos 1930. Há itens autografados e materiais ligados a políticos conhecidos e regionais.
Rafael não limita o acervo ao tamanho das candidaturas. Para ele, preservar esses objetos ajuda a manter registros da história democrática e das pessoas que participaram dela. “É a história do país como um todo”, afirma.
A coleção inclui ainda materiais de campanhas norte-americanas e de eleições que não chegaram a ocorrer, como a de 1965, interrompida pelo Golpe Militar. O historiador diz que o valor dos objetos está na capacidade de contar histórias que poderiam desaparecer.



