FLORIANÓPOLIS — Fernanda Klitzke, candidata a segunda suplente de Décio Lima (PT) ao Senado, foi recebida com aplausos e gritos de “guerreira da pátria brasileira” durante um ato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Florianópolis. Ela havia sido agredida durante uma abordagem da Polícia Militar em Jaraguá do Sul, uma semana antes.
O episódio ocorreu no sábado, 12, depois de uma denúncia de perturbação do sossego durante uma festa de aniversário de integrantes do Partido dos Trabalhadores. Imagens de câmeras residenciais mostram Fernanda sendo derrubada, atingida por chutes e disparos de bala de borracha. Após ser algemada e levada para a delegacia, ela precisou de atendimento médico.
Versões sobre a abordagem
De acordo com o relato de Fernanda, ela saiu da festa com as mãos levantadas ao ver a professora Vera Lucia Freitas sendo imobilizada. Identificando-se como advogada, pediu calma e puxou Vera para interromper a contenção. Fernanda afirma que, depois disso, foi submetida a um mata-leão, recebeu um disparo no pé, sofreu uma rasteira, foi chutada e atingida por balas de borracha.
O boletim de ocorrência registrado contra os policiais relata que o proprietário de um carro estacionado próximo à festa foi detido após questionar a exigência de entrega da chave do veículo. Ele afirmou acreditar que a abordagem estava relacionada à música que tocava no carro, uma canção favorável a Lula.
A Polícia Militar informou que duas mulheres interferiram fisicamente na condução dos envolvidos e que, nessa intervenção, uma policial sofreu lesão na mão e recebeu atendimento médico. A corporação declarou que os fatos serão apurados integralmente pela Corregedoria-Geral.
O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), defendeu a atuação da PM. O deputado estadual Sargento Lima (PL) propôs uma moção de aplausos aos policiais Rafaela Natália Branco e Clovis Kaue Weber, do 14º Batalhão de Polícia Militar de Jaraguá do Sul.
Gelson Merisio (PSB), candidato ao governo catarinense, mencionou o caso durante o ato e afirmou que episódios de violência não representam o estado. Fernanda rejeitou a possibilidade de armação eleitoral e disse: “Se eu fosse tão boa em fazer uma armação eleitoral dessas, eu estaria lutando para outra coisa, não para apanhar de ninguém”.
Fernanda afirma que o PT adotou medidas nas áreas administrativa, civil e criminal. A Polícia Federal abriu inquérito para investigar a atuação dos policiais militares. A OAB/SC e o TRE-SC acompanham o caso. Ela também declarou ter recebido ligações de lideranças de vários partidos, inclusive de Lula, e disse não ter sido procurada pela Secretaria da Segurança Pública.



