Belo Horizonte, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Política

Mensagens indicam negociação de US$ 24 milhões para filme sobre Jair Bolsonaro

Registros apontam pagamentos de US$ 10,6 milhões e cobranças de Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro durante a produção de “Dark Horse”.

Documentos e mensagens indicam que o senador Flávio Bolsonaro negociou com Daniel Vorcaro o repasse de 24 milhões de dólares para financiar “Dark Horse”, filme biográfico sobre Jair Bolsonaro. Entre fevereiro e maio de 2025, pelo menos 10,6 milhões de dólares — cerca de R$ 61 milhões na cotação dos períodos das transferências — teriam sido pagos em seis operações.

Os registros incluem cronogramas de desembolso, cobranças sobre parcelas e um comprovante bancário de 2 milhões de dólares. Não há evidências, nas mensagens analisadas, de que os outros oito pagamentos previstos tenham sido realizados. Uma tabela indicava 14 parcelas, sendo 12 de 1,666 milhão de dólares e duas de 2 milhões de dólares. Em outro momento, o fluxo foi descrito como dez parcelas de 2,5 milhões de dólares.

A negociação envolveu também Eduardo Bolsonaro, deputado federal cassado, e Mario Frias, deputado federal e ex-secretário da Cultura no governo Bolsonaro. Outros intermediários citados nos registros são o empresário Thiago Miranda, fundador e sócio do Portal Leo Dias, e Fabiano Zettel, apontado pela Polícia Federal como principal operador financeiro de Vorcaro.

Transferências e intermediários

Parte dos recursos teria sido transferida pela Entre Investimentos e Participações para o Havengate Development Fund LP, fundo registrado no Texas, nos Estados Unidos, e ligado à produção do filme. O comprovante de 14 de fevereiro de 2025 registra uma remessa de 2 milhões de dólares para o fundo, com a Entre Investimentos e Participações como remetente.

Documentos societários apontam Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro, como administrador e membro da empresa Havengate Development Fund GP LLC, registrada no mesmo endereço comercial do fundo. Altieris Santana aparece como integrante do quadro societário. A defesa de Mario Frias confirmou os contatos entre o deputado e Vorcaro, mas afirmou que as mensagens refletiam uma relação entre o idealizador do projeto e um potencial apoiador privado.

A defesa também disse que Frias participou do desenvolvimento criativo e institucional do projeto, negou que ele tenha atuado como articulador político ou financeiro em nome de Vorcaro e rejeitou o uso do mandato para promoção de lobby privado ou favorecimento empresarial.

O Grupo Entre afirmou que não existe vínculo societário, de controle ou de governança com Daniel Vorcaro e declarou estar à disposição das autoridades para esclarecimentos. Não houve resposta de Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro, Daniel Vorcaro, Thiago Miranda, Paulo Calixto e Antônio Carlos Freixo Júnior até a publicação das informações. A defesa de Jair Bolsonaro também não respondeu aos contatos.

Cobranças durante a produção

As conversas registradas começaram em 8 de dezembro de 2024, quando Thiago Miranda organizou um encontro entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro em Brasília. A reunião foi marcada para 11 de dezembro, às 17h30, na residência do banqueiro. No mesmo dia, Mario Frias enviou um áudio a Vorcaro agradecendo pelo apoio ao projeto e afirmou que o filme “vai mexer com o coração de muita gente”.

Em 20 de janeiro, Miranda encaminhou a Vorcaro uma captura de tela na qual um número atribuído a Flávio pedia pressão sobre o setor jurídico para concluir o processo. Dias depois, Fabiano Zettel explicou que o filme teria um fluxo específico de pagamentos. Em 28 de janeiro, Vorcaro demonstrou preocupação com os atrasos e classificou o repasse como “o mais importante disparado”.

As mensagens indicam que dificuldades operacionais levaram Vorcaro a orientar que o pagamento fosse feito por meio da Entre Investimentos e Participações. Em 12 de março, ele encaminhou um cronograma que apontava apenas a primeira parcela como paga até então. O documento previa seis parcelas, somando 10,6 milhões de dólares entre janeiro e maio de 2025.

Em agosto, uma tabela intitulada “Funding Schedule Havengate Dev Fund” indicava que 10,6 milhões de dólares haviam sido transferidos de um total previsto de 23,9 milhões de dólares. Em setembro, Flávio cobrou o saldo pendente e alertou para o risco de paralisação da produção. Ele mencionou atrasos em pagamentos a profissionais envolvidos no filme, entre eles o ator Jim Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh.

Em 22 de outubro, Flávio informou que as filmagens estavam no terceiro dia e que a produção havia chegado ao limite. No mesmo dia, convidou Vorcaro para um jantar com Caviezel e Nowrasteh. Não há confirmação, nos registros, de que o encontro tenha ocorrido.

Prisão de Vorcaro

A negociação ocorreu antes da prisão de Daniel Vorcaro, em 17 de novembro de 2025, quando ele tentava deixar o país. Um dia depois, o Banco Central liquidou o Banco Master. A operação atribuída ao banqueiro teria provocado um rombo de R$ 47 bilhões no Fundo Garantidor de Crédito.

Em 16 de novembro de 2025, um dia antes da prisão, Flávio enviou uma mensagem a Vorcaro pedindo ajuda. Questionado presencialmente sobre o financiamento do filme, o senador negou a informação e deixou o local onde concedia entrevista, próximo ao Supremo Tribunal Federal.

A produção “Dark Horse” tem Jim Caviezel no papel de Jair Bolsonaro. O ator anunciou a estreia para 11 de setembro de 2026, mas o site oficial do filme não confirma a data de chegada ao Brasil.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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