Belo Horizonte, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Fraudes no voto de papel impulsionaram criação da urna eletrônica

Giuseppe Janino descreve práticas como voto formiguinha, urna emprenhada, bico de pena e mapismo na votação manual.

Fraudes no voto de papel impulsionaram criação da urna eletrônica
Foto: TV Globo/Arquivo

Fraudes praticadas durante a votação e a apuração em papel contribuíram para a criação da urna eletrônica, afirma Giuseppe Janino, um dos autores do sistema de votação brasileiro e ex-secretário de tecnologia da informação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Segundo Janino, o processo manual era marcado por lentidão, erros de preenchimento, rasuras, votos anulados e manipulações durante a contagem. O próprio TSE reconhece que a apuração podia demorar dias e que esses problemas comprometiam a confiabilidade do resultado. Com o sistema eletrônico, os candidatos eleitos passaram a ser conhecidos no mesmo dia da votação, horas depois do encerramento.

Como funcionavam as fraudes

O voto formiguinha começava com a troca da cédula oficial por um papel comum. Um intermediário entregava a um eleitor uma cédula oficial já preenchida. Na seção, o eleitor depositava esse documento na urna e entregava ao intermediário a cédula oficial em branco recebida do mesário. O procedimento era repetido com outras pessoas da fila.

Outra prática era a urna emprenhada. Embora as urnas fossem abertas diante de representantes dos partidos, seladas e enviadas vazias aos locais de votação, algumas apareciam mais pesadas na véspera da eleição, já com cédulas preenchidas em seu interior.

A chamada mão mágica ocorria durante a apuração. As cédulas eram dispostas sobre uma mesa, o que permitia a alguém retirar uma delas ou acrescentar outra.

No bico de pena, uma cédula deixada em branco podia receber o voto para determinado candidato durante a contagem. Janino relata que até um grafite escondido embaixo da unha era usado para marcar o documento.

O mapismo envolvia a manipulação das planilhas de papel. Votos podiam ser transferidos entre candidatos, linhas e colunas podiam ser invertidas, e votos brancos ou nulos poderiam ser direcionados a um candidato.

Funcionamento da urna eletrônica

De acordo com o TSE, a urna não se conecta à internet, ao Wi-Fi ou ao Bluetooth. Ela funciona isoladamente e executa programas previamente inspecionados. Os sistemas passam por inspeções, testes e fiscalização antes das eleições, sendo depois gravados em mídias e lacrados.

Cada eleitor é vinculado à urna de sua seção. Após a identificação, o mesário habilita o equipamento. Os votos são registrados individualmente e armazenados em ordem aleatória, sem associação com o eleitor.

No encerramento, a urna imprime o Boletim de Urna e grava os dados do resultado em uma mídia. As informações são então enviadas aos sistemas de totalização por uma rede usada exclusivamente pela Justiça Eleitoral.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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