Fraudes praticadas durante a votação e a apuração em papel contribuíram para a criação da urna eletrônica, afirma Giuseppe Janino, um dos autores do sistema de votação brasileiro e ex-secretário de tecnologia da informação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Segundo Janino, o processo manual era marcado por lentidão, erros de preenchimento, rasuras, votos anulados e manipulações durante a contagem. O próprio TSE reconhece que a apuração podia demorar dias e que esses problemas comprometiam a confiabilidade do resultado. Com o sistema eletrônico, os candidatos eleitos passaram a ser conhecidos no mesmo dia da votação, horas depois do encerramento.
Como funcionavam as fraudes
O voto formiguinha começava com a troca da cédula oficial por um papel comum. Um intermediário entregava a um eleitor uma cédula oficial já preenchida. Na seção, o eleitor depositava esse documento na urna e entregava ao intermediário a cédula oficial em branco recebida do mesário. O procedimento era repetido com outras pessoas da fila.
Outra prática era a urna emprenhada. Embora as urnas fossem abertas diante de representantes dos partidos, seladas e enviadas vazias aos locais de votação, algumas apareciam mais pesadas na véspera da eleição, já com cédulas preenchidas em seu interior.
A chamada mão mágica ocorria durante a apuração. As cédulas eram dispostas sobre uma mesa, o que permitia a alguém retirar uma delas ou acrescentar outra.
No bico de pena, uma cédula deixada em branco podia receber o voto para determinado candidato durante a contagem. Janino relata que até um grafite escondido embaixo da unha era usado para marcar o documento.
O mapismo envolvia a manipulação das planilhas de papel. Votos podiam ser transferidos entre candidatos, linhas e colunas podiam ser invertidas, e votos brancos ou nulos poderiam ser direcionados a um candidato.
Funcionamento da urna eletrônica
De acordo com o TSE, a urna não se conecta à internet, ao Wi-Fi ou ao Bluetooth. Ela funciona isoladamente e executa programas previamente inspecionados. Os sistemas passam por inspeções, testes e fiscalização antes das eleições, sendo depois gravados em mídias e lacrados.
Cada eleitor é vinculado à urna de sua seção. Após a identificação, o mesário habilita o equipamento. Os votos são registrados individualmente e armazenados em ordem aleatória, sem associação com o eleitor.
No encerramento, a urna imprime o Boletim de Urna e grava os dados do resultado em uma mídia. As informações são então enviadas aos sistemas de totalização por uma rede usada exclusivamente pela Justiça Eleitoral.



