O som emitido pela urna eletrônica ao fim da votação foi definido em uma reunião de técnicos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), quando o equipamento ainda estava em fase final de desenvolvimento. A decisão ocorreu antes das eleições municipais de 1996, quando faltava estabelecer uma forma clara de avisar que o voto havia sido registrado.
Giuseppe Janino, ex-secretário de tecnologia da informação do TSE e um dos autores do projeto da urna eletrônica brasileira, explica que os equipamentos disponíveis nos meados dos anos 1990 tinham poucos recursos sonoros. As placas-mãe permitiam apenas sinais simples, conhecidos como “beeps”.
Uma equipe formada por quatro engenheiros do tribunal, além de Janino, se reuniu em uma tarde para escolher o aviso. O encontro ocorreu em São Paulo, onde as primeiras urnas eram produzidas, e contou com diferentes opções apresentadas pelo fabricante. “A gente definiu que tinha que ser um som diferenciado”, afirmou Janino.
O resultado foi uma sequência de “beeps” que se transformou no som característico da urna. Para Janino, o aviso foi incorporado à rotina de eleitores e mesários e passou a representar culturalmente o processo eleitoral brasileiro.
Acessibilidade e funcionamento
O TSE informa que a urna funciona sem conexão à internet, ao Wi-Fi ou ao Bluetooth. Durante a votação, o equipamento opera de forma isolada e executa programas previamente inspecionados. Antes das eleições, os sistemas passam por inspeção, testes e fiscalização; depois, são gravados em mídias e lacrados.
A urna também conta com teclas identificadas em braille, sistema de áudio com voz sintetizada e intérprete de Libras exibido na tela. Desde as Eleições 2024, as orientações são dadas pela voz “Letícia”, pertencente à cantora Sara Bentes, que nasceu com deficiência visual. A mudança foi solicitada pela Organização Nacional de Cegos do Brasil (ONCB).
Os votos são registrados individualmente e armazenados em ordem aleatória, sem associação entre o voto e o eleitor. Ao fim da votação, a urna imprime o Boletim de Urna (BU) e grava os dados do resultado em uma mídia. As informações seguem depois para os sistemas de totalização por uma rede usada exclusivamente pela Justiça Eleitoral.
Mascote Pilili
Em maio, o TSE apresentou a mascote Pilili como parte das ações de comunicação dos 30 anos da urna eletrônica. A proposta é aproximar das novas gerações um equipamento que integra a história das eleições brasileiras.
Janino também relacionou o som à rotina dos mesários, que podem ouvi-lo repetidamente durante o trabalho. “Ele é realmente uma característica importante que representa culturalmente a nossa urna eletrônica”, disse.



