O som conhecido como “pilili” surgiu de uma limitação dos computadores usados na implantação da urna eletrônica brasileira. Em 1996, esses equipamentos não tinham recursos multimídia e produziam apenas sinais sonoros simples, chamados de beeps.
A solução foi criar uma sequência diferenciada para indicar ao mesário que o eleitor havia concluído a votação. Giuseppe Janino, ex-secretário de tecnologia da informação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e um dos autores do projeto da urna, explica que a equipe trabalhou dentro das possibilidades técnicas daquele período.
“Naquela época, em 1996, os recursos computacionais eram restritos. Não existiam dispositivos de multimídia”, afirmou Janino. Ele é formado em Matemática e Análise de Sistemas e é de Canoas.
Do sinal à identidade das eleições
O aviso sonoro foi desenvolvido durante a mudança do sistema eleitoral, que substituiu as cédulas de papel pela votação digital. Além de confirmar o encerramento do voto, a sequência ajudava o mesário a acompanhar o tempo de votação de cada eleitor.
Com o passar dos anos, o som deixou de ser apenas um recurso operacional e passou a integrar a cultura eleitoral brasileira. Em maio, o TSE apresentou a mascote Pilili, criada como parte das ações de comunicação dos 30 anos da urna eletrônica.
De acordo com a Corte Eleitoral, a iniciativa busca apresentar o equipamento às novas gerações por meio de uma linguagem mais próxima delas. O nome da mascote faz referência ao som emitido pela urna.
Janino também relatou que mesários podem terminar o dia de trabalho com a sequência sonora na memória. Para ele, o sinal se tornou uma característica cultural associada à urna eletrônica brasileira.



