O ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal Marco Aurélio Mello afirmou que Alexandre de Moraes tem cometido excessos e disse lamentar o apoio dado à indicação dele para a Corte. A declaração foi feita em entrevista à CNN neste sábado (5.set.2026), após a divulgação de conversas entre Moraes e Daniel Vorcaro, fundador do extinto Banco Master.
Marco Aurélio também defendeu a decisão do ministro André Mendonça de retirar o sigilo dos documentos que reúnem os diálogos. Moraes acusa Mendonça de abuso de autoridade e crime de responsabilidade, mas o ministro aposentado afirmou que o colega agiu corretamente. Ele ainda criticou o cenário atual do Supremo, que considera marcado por uma inversão de valores.
“Se arrependimento matasse eu não estaria aqui hoje conversando com vocês”, declarou Marco Aurélio ao comentar o apoio que havia dado à indicação.
Conversas analisadas pela Polícia Federal
As mensagens integram um relatório de 218 páginas elaborado pela Polícia Federal a partir da análise do celular de Daniel Vorcaro. O documento foi produzido a pedido de André Mendonça para identificar integrantes de uma possível rede de influência e monitoramento atribuída ao fundador do Banco Master.
A PF entregou o relatório em 27 de agosto de 2026. O aparelho de Vorcaro havia sido apreendido na operação Compliance Zero, deflagrada em novembro de 2025 para investigar suspeitas de fraudes relacionadas à venda de carteiras de crédito do Banco Master ao BRB (Banco de Brasília). Vorcaro foi preso na primeira fase da operação, em 18 de novembro de 2025.
Segundo a própria Polícia Federal, a análise não teve caráter exaustivo porque foi realizada em 72 horas, prazo definido para atender à requisição judicial. Parte das mensagens foi enviada pelo recurso de visualização única do WhatsApp, o que impede conhecer algumas respostas e reconstruir integralmente os diálogos com o contato identificado como “Alexandre de Moraes BRASILIA”.
O conteúdo se tornou público na 3ª feira (1º.set.2026), depois que Mendonça retirou o sigilo da ação. As conversas foram divulgadas depois que Marco Aurélio recordou sua recomendação a Michel Temer, em 2017, quando a vaga no STF havia sido aberta após a morte do ministro Teori Zavascki. Na ocasião, ele considerava adequado o currículo de Moraes, que incluía atuação como acadêmico, integrante do Ministério Público, secretário municipal e estadual e ministro da Justiça.



