O ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal Marco Aurélio Mello afirmou neste sábado (5) que André Mendonça agiu corretamente nos inquéritos sobre a relação entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.
Mendonça retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal que reúne conversas e informações sobre encontros entre Moraes e Vorcaro. Para Marco Aurélio, o documento deveria ser encaminhado à Procuradoria-Geral da República.
“Eu penso que está havendo uma inversão de valores”, declarou o ministro aposentado. Ele disse que Mendonça se deparou com o relatório da PF e adotou o procedimento adequado ao enviá-lo à PGR.
Encontros citados no relatório
O material da Polícia Federal mapeou encontros ocorridos entre fevereiro de 2024 e agosto de 2025. A aproximação teria começado em 2023, quando Fábio Faria, ex-ministro das Comunicações no governo Bolsonaro, encaminhou a Vorcaro o número de telefone de Moraes.
De acordo com as mensagens analisadas, Moraes e Vorcaro jantaram em 2 de fevereiro de 2024, acompanhados das respectivas esposas. Outros encontros foram registrados em novembro de 2024. Em março de 2025, Vorcaro informou à esposa e depois a um diretor do Banco Central que estava com Moraes. No mês seguinte, disse que iria encontrar o ministro perto de casa.
As mensagens também mencionam o procurador-geral da República, Paulo Gonet, em uma conversa com Vorcaro intermediada pelo advogado Ciro Soares. O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, também aparece no relatório.
Moraes ainda não se pronunciou oficialmente sobre as citações. A PGR, comandada por Gonet, pediu a nulidade do relatório em parecer. O procurador-geral afirmou que a investigação não poderia ter avançado daquela forma sem provocação do Ministério Público e questionou o tratamento dado a informações envolvendo autoridades com foro no Supremo.



