Terça-feira, 8 de setembro de 2026
O radar da região e do país
Saúde

Rim suíno mantém paciente sem diálise por 271 dias até transplante humano

Caso conduzido em Boston foi liderado pelo médico brasileiro Leonardo Riella e terminou com a substituição do órgão por um rim humano.

Rim suíno mantém paciente sem diálise por 271 dias até transplante humano
Foto: Divulgação/Massachusetts General Hospital

Um rim suíno funcionou imediatamente no corpo de Tim Andrews, que permaneceu sem diálise por 271 dias antes de receber um órgão humano. O transplante ocorreu em janeiro de 2025, quando o paciente tinha 66 anos, no Hospital Geral de Massachusetts, nos Estados Unidos.

Andrews tinha insuficiência renal em estágio terminal e precisava de um transplante, mas não havia um rim humano disponível em tempo hábil. A alternativa foi autorizada após uma solicitação de Novo Medicamento Experimental de Acesso Expandido da FDA, agência norte-americana responsável pela fiscalização de medicamentos.

O procedimento foi acompanhado pelo Centro de Ciências de Transplantes e pela Divisão de Nefrologia do hospital, sob liderança do médico brasileiro Leonardo Riella e do cirurgião Tatsuo Kawai. O trabalho amplia os resultados do xenotransplante, técnica que utiliza órgãos entre espécies diferentes.

Durante o acompanhamento, os pesquisadores monitoraram a função renal e a resposta imunológica, incluindo o desenvolvimento de anticorpos. Foi registrada uma rejeição inicial mediada por células T, controlada com tratamento. Também não houve transmissão de patógeno suíno ao paciente.

Após seis meses, porém, uma diminuição da resposta imunológica associada à infecção, uma mesão microvascular e uma inflamação evoluíram para a falência do rim transplantado. Andrews recebeu imediatamente o órgão de um doador humano falecido.

Uma alternativa enquanto o órgão humano não chega

Para Riella, o xenotransplante pode funcionar inicialmente como uma ponte, permitindo que pacientes deixem a diálise enquanto aguardam um rim humano. “O rim funcionou imediatamente”, afirmou o médico ao descrever o acompanhamento do caso.

O estudo também registra um procedimento anterior, realizado em 2024, no qual um paciente sobreviveu durante 52 dias com um rim suíno e morreu posteriormente por causas cardíacas não relacionadas ao transplante. Antes disso, não havia registro de sobrevivência superior a dois meses após um xenotransplante.

Os especialistas ainda apontam riscos de infecção zoonótica e de sensibilização relacionada à resposta imunológica. A expectativa apresentada por Riella é que, com a comprovação da segurança e da durabilidade a longo prazo, o procedimento possa deixar de ser apenas uma ponte e se tornar uma terapia definitiva.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Assine nossa newsletterAs principais notícias do dia no seu e-mail.