A manutenção dos palanques estaduais depois do primeiro turno pode ser determinante para as campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro no Sudeste, avaliam as cientistas políticas Mayra Goulart e Denilde Holzhacker. A região concentra 66,3 milhões de eleitores, o equivalente a 41,8% do eleitorado brasileiro, e abriga os três maiores colégios eleitorais do país.
Disputa nos estados
No Rio de Janeiro, o prefeito Eduardo Paes (PSD) apoia a reeleição de Lula (PT). Em São Paulo, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) é aliado de Flávio Bolsonaro (PL). Para Mayra Goulart, professora e cientista política da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a continuidade desses apoios dependerá das decisões dos candidatos eleitos para os governos estaduais.
Uma vitória de Paes no primeiro turno poderia, na avaliação da professora, ser seguida por uma escolha sobre manter ou não o estado como espaço de mobilização para Lula. A mesma questão se aplica a Tarcísio, que Mayra considera ter uma chance maior de ser eleito no primeiro turno: caberia a ele decidir se deixará o palanque disponível para Flávio Bolsonaro.
Denilde Holzhacker, professora de relações internacionais da ESPM, considera essencial o apoio de Tarcísio à campanha de Flávio. Segundo ela, a mobilização produzida pela eleição para o governo paulista precisaria continuar no segundo turno presidencial, mesmo que a disputa estadual terminasse na primeira rodada.
O peso de São Paulo
No campo petista, a candidatura de Fernando Haddad ao governo paulista é vista como instrumento para mobilizar o eleitorado de esquerda. Denilde afirma que Lula conta com um candidato conhecido e capaz de concentrar votos desse segmento. Haddad também é apontado como alguém com capacidade de articulação entre diferentes grupos políticos, característica que pode ganhar importância na fase final da campanha, quando as eleições para deputado estadual e federal passam a receber mais atenção.
Em 2018 e 2022, o PT perdeu em São Paulo. Na eleição de 2022, Bolsonaro venceu Lula no segundo turno por cerca de 55% a 45%. O petista, porém, passou de aproximadamente 10,5 milhões de votos no primeiro turno para 11,5 milhões no segundo, aumento de cerca de 1 milhão de votos.
Eleitorado e cenário nacional
Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que São Paulo tem 34,1 milhões de eleitores aptos a votar. Minas Gerais aparece em seguida, com 16,3 milhões, e o Rio de Janeiro, com 12,8 milhões. O Espírito Santo tem cerca de 2,9 milhões e ocupa a 14ª posição entre os estados.
A avaliação das especialistas considera que o Nordeste tende a favorecer Lula, enquanto Sul, Centro-Oeste e Norte podem apresentar margem favorável a Flávio Bolsonaro. O Sudeste, onde a disputa é descrita como mais equilibrada, teria papel decisivo no resultado.
O primeiro turno presidencial acontece em 4 de outubro. Na pesquisa mais recente do Datafolha, divulgada em 17 de setembro e registrada no TSE sob o protocolo BR-04029/2026, Lula aparece com 39% das intenções de voto, contra 36% de Flávio Bolsonaro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, o que caracteriza empate técnico. Em um eventual segundo turno, Lula tem 46%, e Flávio, 44%, também dentro do empate técnico. Se houver nova votação, ela está marcada para 25 de outubro.


