A controvérsia que relacionou Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a uma proposta para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil ficou entre as três maiores crises políticas de 2026 nas redes sociais. O episódio registrou 977,6 mil menções em 55 horas e gerou ao menos 8,5 milhões de interações.
O Instituto Democracia em Xeque classificou o caso atrás apenas de “Mendonça vs. Moraes” e “Quebra de sigilo Dark Horse” em uma comparação dos últimos 12 meses. Nas primeiras 24 horas, foram 669,9 mil publicações, com pico de 38,3 mil menções em uma hora.
A repercussão começou na quinta-feira (24), depois que a colunista Maria Cristina Fernandes afirmou, no programa “Em Pauta”, da GloboNews, existir uma mobilização de parte dos evangélicos em torno de um projeto de lei sobre o título atribuído à santa. Segundo ela, o movimento poderia favorecer o presidente Lula (PT) entre eleitores católicos.
Horas depois, a GloboNews corrigiu a informação e pediu desculpas. O canal esclareceu que a proposta havia sido apresentada em dezembro de 2007 pelo então deputado federal Victório Galli e arquivada em agosto de 2008. Flávio Bolsonaro negou ter apoiado qualquer iniciativa com esse objetivo.
Nova etapa da disputa
O monitoramento apontou uma primeira onda de publicações entre a noite de quinta-feira (24) e a manhã de sexta-feira (25), impulsionada pelas reações de católicos, pela negativa do senador e pela correção da emissora.
Depois de uma queda durante a madrugada de sábado (26), as menções voltaram a subir pela manhã, com nova concentração perto do meio-dia. Nesse intervalo, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, determinou a retirada de publicações que associavam Flávio à mudança do título de padroeira.
A decisão levou o debate para a atuação da Justiça, a circulação de publicações e a liberdade de expressão. No sábado, a campanha do senador solicitou ao Ministério Público Eleitoral a prisão de George Marques, coordenador-geral de Estratégia e Informação da Presidência, acusando-o de disseminar desinformação.
O Palácio do Planalto respondeu que Flávio distorcia os fatos e declarou que a manifestação de Marques foi estritamente pessoal. Em uma análise de 345 publicações de perfis políticos, o Democracia em Xeque registrou 66% dos posts e 70% das interações para a esquerda. A extrema-direita ficou com 33% das publicações e 30% das interações.



