Belo Horizonte, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Política

Caso Nossa Senhora expõe limites da imagem moderada de Flávio Bolsonaro

A reação judicial à polêmica religiosa ampliou o debate sobre as alianças, as declarações e o comportamento político do candidato.

Nossa Senhora Aparecida e a polêmica que acaba com o mito do Bolsonaro moderado

A controvérsia envolvendo Nossa Senhora Aparecida expôs a distância entre a imagem moderada que Flávio Bolsonaro tenta projetar e suas próprias declarações e decisões durante a campanha presidencial. O candidato do Partido Liberal afirmou que, se eleito, decretaria que “o Brasil é do Senhor Jesus Cristo”, apresentando uma declaração religiosa como um dos primeiros atos da Presidência da República.

A promessa levantou dúvidas entre católicos, para quem a devoção a Maria ocupa lugar central, e ocorreu em meio à disputa de setores evangélicos pelo espaço dos símbolos religiosos na vida pública. A discussão também recuperou a atuação de Victorio Galli, então deputado pelo MDB, que apresentou, em 2007, um projeto para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. A proposta foi arquivada em 2008. Galli é atualmente filiado ao Progressistas, foi assessor especial de Jair e apoia Flávio.

Disputa sobre as publicações

A jornalista Maria Cristina Fernandes afirmou, em comentário na GloboNews, que havia reação na Igreja Católica a uma parcela de evangélicos que estaria mobilizando a pauta da retirada do título de padroeira. A análise tratava dos possíveis efeitos eleitorais dessa movimentação, mas não dizia que Flávio havia apresentado um projeto de lei nem que a medida fazia parte de seu programa de governo.

A circulação de trechos do comentário, porém, levou a interpretações diferentes nas redes sociais. Algumas publicações expressaram preocupação religiosa ou apoio à santa. Outras teriam apresentado como proposta de Flávio a retirada do título.

A campanha acionou a Justiça Eleitoral e pediu a remoção em massa de publicações, além de investigações criminais e busca e apreensão. Entre os alvos estavam o humorista Antônio Tabet, por uma postagem sem menção nominal ao candidato; um dirigente da Secretaria de Comunicação do governo Lula, que havia republicado conteúdo durante o horário de descanso; e uma publicação que apenas demonstrava simpatia por Nossa Senhora.

O ministro André Mendonça determinou a retirada de mais de mil links que associavam Flávio ou sua família à intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. A campanha tinha o direito de contestar uma atribuição que considerasse falsa, mas a remoção ampla atingiu uma discussão que reunia notícia, interpretação política, crítica e expressão religiosa.

Flávio voltou ao tema no domingo, 27/09, ao afirmar, em entrevista, que a suposta fake news havia sido produzida com participação da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil, a CNBB.

A promessa e as perguntas

A GloboNews pediu desculpas pelo comentário de Maria Cristina Fernandes. A medida, porém, deixou a jornalista exposta como se tivesse feito uma acusação que não havia apresentado. Também houve a adoção da expressão fake news para descrever a polêmica de maneira abrangente.

Pode ser falso afirmar que Flávio decidiu retirar o título de Nossa Senhora Aparecida. Isso não elimina, contudo, as perguntas sobre o significado político de sua promessa religiosa nem sobre suas relações com setores que pretendem ampliar a influência da religião na esfera pública.

A mesma campanha também promete um “tesouraço” nas despesas, um novo teto de gastos e um ajuste expressivo nas contas públicas. A coordenadora do plano de governo apresentou Javier Milei como um “ótimo exemplo” para o Brasil. Essas propostas econômicas não anulam a declaração sobre o uso da Presidência para uma manifestação religiosa nem a decisão de recorrer à Justiça contra críticos durante a campanha.

Flávio pode afirmar que não existe prova de um plano para retirar o título de padroeira. O que a controvérsia mostra é que essa negativa não encerra o exame de suas alianças, de suas palavras e da forma como reage a questionamentos. A discussão começou com a promessa de decretar a quem pertence o Brasil, e não apenas com a análise jornalística ou as publicações que vieram depois.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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