Belo Horizonte, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Caso Vorcaro amplia pressão sobre estratégia moderada de Flávio Bolsonaro

Conversas sobre o financiamento de um filme se somam a acusações antigas e desafiam a tentativa do senador de se afastar da imagem do pai.

Vorcaro, rachadinha e milícia: os fantasmas que rondam a campanha 'moderada' de Flávio Bolsonaro

A campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência passou a enfrentar novas cobranças após a divulgação de conversas do senador com o banqueiro Daniel Vorcaro sobre aportes para um filme em homenagem a Jair Bolsonaro. O caso se soma a suspeitas antigas de rachadinha e a acusações de vínculos com milicianos, que o parlamentar nega.

Segundo informações atribuídas ao Intercept Brasil no texto, Vorcaro teria repassado ao menos R$ 61 milhões para a produção no ano passado. O acordo de financiamento chegaria a R$ 134 milhões, e Flávio teria cobrado a liberação do restante dos recursos.

O senador afirmou que buscava patrocínio privado para uma obra sobre o próprio pai e negou ter oferecido vantagens, intermediado negócios com o governo ou recebido dinheiro. Vorcaro está preso e negocia um acordo de delação premiada com potencial para atingir altas autoridades.

A tentativa de construir uma imagem moderada

Flávio tem usado as redes sociais para tentar preservar o eleitorado bolsonarista e, ao mesmo tempo, atrair pessoas que rejeitam o estilo e as posições mais extremas do ex-presidente. Em vídeo divulgado em abril, sua esposa, Fernanda, afirmou que o marido é um Bolsonaro moderado e disse ter contribuído para essa mudança. No mesmo conteúdo, o senador destacou que foi o Bolsonaro que tomou vacina.

A estratégia também incluiu publicações sobre o Carnaval, feminicídios, falta de creches e figuras históricas da luta pelos direitos das mulheres. Para analistas citados no texto, porém, o episódio envolvendo Vorcaro dificulta o esforço de dissociar Flávio das controvérsias ligadas ao sobrenome.

Yuri Sanches, diretor de risco político da AtlasIntel, afirmou que o senador precisa enfrentar a rejeição associada ao nome da família e aos casos de corrupção enquanto tenta se apresentar como um gestor diferente do pai. Para ele, o caso com Vorcaro interrompe esse processo de construção de imagem.

A oposição petista procura reforçar a ideia de que não existe um Bolsonaro moderado. Um vídeo compartilhado por Lindbergh Farias acusa Flávio de ser de extrema-direita e cita declarações do senador sobre a possibilidade de uso da força para garantir anistia ou indulto a Jair Bolsonaro, caso o Supremo Tribunal Federal considere a medida inconstitucional.

Acusações antigas

As suspeitas de rachadinha se referem ao período em que Flávio era deputado estadual no Rio de Janeiro. O Ministério Público denunciou o senador por organização criminosa, peculato e lavagem de dinheiro, mas o caso foi paralisado por decisões judiciais relacionadas ao foro privilegiado e à validade das provas. O Ministério Público do Rio de Janeiro informou que o caso foi encerrado após decisão do ministro Gilmar Mendes, em fevereiro de 2025.

As acusações também envolvem Fabrício Queiroz, ex-chefe de gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, e supostos repasses de parte dos salários de funcionários. Flávio sustenta que Queiroz tinha autonomia para organizar uma equipe informal de apoio à atividade parlamentar e afirma ser alvo de perseguição política.

O senador também é questionado por homenagens a policiais militares que depois foram acusados de envolvimento com milícias, entre eles Adriano da Nóbrega. A mãe e a então esposa de Adriano trabalharam no gabinete de Flávio. Ele afirma que não conhecia as atividades criminosas atribuídas ao policial e nega ter defendido milícias.

Na avaliação de Yuri Sanches, Flávio se tornou rapidamente a principal opção de eleitores bolsonaristas e antipetistas, mas ainda precisa disputar o grupo que não se identifica automaticamente com nenhum dos dois polos. As acusações e a proximidade com Vorcaro podem influenciar justamente a tentativa de alcançar esse eleitorado.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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