A procura pela primeira Carteira Nacional de Habilitação (CNH) aumentou de 2,3 milhões para 7,3 milhões entre janeiro e agosto de 2026, segundo o Ministério dos Transportes. A alta foi de 216% em relação ao mesmo período do ano passado.
No mesmo intervalo, cerca de 2 milhões de novos motoristas foram habilitados, crescimento de 17,1%. O balanço foi divulgado nesta quinta-feira (10), cerca de nove meses após o governo de Luiz Inácio Lula da Silva lançar um pacote para flexibilizar a obtenção do documento.
Menor custo e prazo
O ministério estima que as mudanças geraram uma economia de R$ 9,64 bilhões, considerando efeitos diretos, indiretos e estimativas. Na habilitação para a categoria AB, que permite conduzir motos e carros, o custo médio caiu de R$ 3.169 em outubro de 2025 para R$ 1.265 em abril deste ano, conforme os dados da pasta.
A mediana do tempo necessário para concluir o processo também diminuiu, de 210 dias entre janeiro e agosto do ano passado para 147 dias no mesmo período de 2026. O tempo médio não foi informado. A proporção de candidatos que levaram cerca de seis meses caiu de dois em cada três motoristas no último ano para 40,6% em 2026. Apenas 3,7% conseguiram a habilitação em até um mês.
Entre as medidas adotadas estão o fim da exigência de frequência em autoescolas e a redução das aulas práticas obrigatórias de 20 para 2. Também foi criado um teto de R$ 180 para os exames médico e psicológico, com economia estimada em R$ 414,6 milhões. Minas Gerais, Mato Grosso e Sergipe contestaram judicialmente o limite e cobram valores acima dele.
Perfil dos novos condutores
A expansão foi maior entre pessoas mais velhas. A emissão cresceu 37,4% entre candidatos de 45 a 54 anos e 53,4% entre aqueles com 55 anos ou mais. Nas faixas de 18 a 20 anos e de 21 a 24 anos, as altas foram de 11,9% e 6,6%, respectivamente.
O número de mulheres que obtiveram a primeira CNH aumentou 18%, chegando a 1,2 milhão. Para os próximos cinco anos, a meta do governo é elevar em 25% o número de novos habilitados. O ministério calcula ainda que 20 milhões de brasileiros dirigem sem carteira.
A Paraíba registrou a maior alta na emissão da primeira CNH, com 77%, seguida por Sergipe, com 69,5%, e Acre, com 55,4%. Houve queda em Tocantins (-2,8%), Goiás (-5,9%), Minas Gerais (-6%) e Rio de Janeiro (-25,6%).
Adaptação dos Detrans
Adrualdo Catão, secretário nacional de Trânsito, disse que o Rio de Janeiro foi o último estado a concluir a adaptação às novas regras. Segundo ele, os atrasos ocorreram principalmente porque os sistemas dos Departamentos Estaduais de Trânsito dependiam de informações das autoescolas. Treze estados, incluindo São Paulo, estão sob fiscalização por possíveis descumprimentos.
O aplicativo CNH do Brasil também foi reformulado. A plataforma passou a oferecer gratuitamente, pela internet, material teórico para o exame, e o número de cursos realizados subiu de cerca de 2 milhões para 4,4 milhões.
O ministro dos Transportes, George Santoro, afirmou que 478 autoescolas encerraram as atividades até agosto deste ano, ante 266 no mesmo período de 2025. De acordo com ele, os fechamentos foram voluntários. As aulas ministradas por instrutores autônomos representaram 13,2% do total.
“Todos esses foram estados que demoraram um pouco a se adaptar ao modelo da nova resolução”, afirmou Catão.



