Belo Horizonte, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Proposta dos EUA vinculou acordo comercial a compromisso eleitoral no Brasil

Documento entregue a negociadores brasileiros previa eleições livres e justas e impedia restrições arbitrárias a dissidentes políticos em 2026.

Proposta dos EUA vinculou acordo comercial a compromisso eleitoral no Brasil
Foto: Reuters

Uma proposta apresentada pelos Estados Unidos ao Brasil durante negociações diplomáticas previa que o país se comprometesse com a realização de eleições presidenciais livres e justas em 2026. O documento também estabelecia que dissidentes políticos não fossem detidos, presos ou impedidos arbitrariamente de participar do processo eleitoral.

A exigência fazia parte de uma lista com 21 demandas e foi entregue em 16 de outubro de 2025 a uma missão brasileira enviada a Washington. O grupo era liderado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e incluía dois negociadores e quatro assessores. Pelo menos dois integrantes receberam o documento por e-mail para discussão interna e posterior encaminhamento ao Ministério.

Referência ao cenário político brasileiro

Embora o texto norte-americano não mencionasse Jair Bolsonaro, integrantes do governo brasileiro entenderam que a exigência poderia alcançar a participação do ex-presidente na eleição. Bolsonaro foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 27 anos e três meses de prisão no caso da trama golpista. Ele também estava inelegível até 2030 por abuso de poder político, em uma ação julgada pelo Tribunal Superior Eleitoral em 2023.

A formulação apresentada pelos Estados Unidos dizia: “O Brasil se compromete a realizar eleições presidenciais livres e justas em 2026 e não deterá, prenderá nem limitará arbitrariamente, de qualquer outra forma, a participação de dissidentes políticos no processo eleitoral”. A proposta foi a primeira apresentada pelos dois governos após a imposição de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, anunciada por Donald Trump em julho do ano passado.

O Itamaraty não comentou oficialmente o conteúdo do documento. A exigência era desconhecida por parte dos integrantes do governo envolvidos na negociação e, até então, não havia sido divulgada publicamente.

Declarações de autoridades

Em agosto, uma autoridade de alto escalão do Departamento de Estado afirmou, sob reserva, que os Estados Unidos respeitariam o resultado das urnas caso o Brasil promovesse uma disputa livre e justa. A mesma autoridade declarou que o governo norte-americano já havia trabalhado com governos de ambos os lados do espectro político brasileiro.

Daniel Perez, embaixador indicado por Trump e ainda não aprovado por Lula, negou que pretendesse se envolver na disputa eleitoral. “Quanto às eleições no Brasil, isso cabe aos brasileiros decidir”, afirmou em entrevista a uma TV da Flórida.

O governo Lula já havia acusado a administração Trump de ingerência em assuntos domésticos, violação da soberania e interferência no processo eleitoral em razão de outras medidas dos Estados Unidos, como o tarifaço, a designação de facções como terroristas, sanções a autoridades, o envio de representantes e a cassação de vistos diplomáticos.

Em 5 de dezembro, Flávio Bolsonaro anunciou que havia sido indicado pelo pai como pré-candidato à Presidência.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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