FRANÇA — Protestos estudantis mantiveram 564 estabelecimentos de ensino afetados por manifestações ou interrupções nesta sexta-feira (2), na França. O número corresponde a escolas do total de 3.700 existentes no país, informou o Ministério da Educação Nacional da França.
O movimento começou na semana passada na região de Paris e se espalhou entre alunos da etapa final do Ensino Médio. Na quinta-feira (1°), universitários também aderiram. Muitas instituições optaram por manter as aulas remotamente.
Os estudantes reivindicam jornadas menos longas, melhores condições nas salas de aula e a presença de professores. O governo havia anunciado o fechamento de 400 escolas. Diante desses estabelecimentos, o ministro do Interior, Laurent Nunez, declarou proibida a realização de manifestações.
A mobilização deixou pelo menos 65 profissionais da educação feridos, entre eles 40 diretores de escolas, informou o ministro da Educação, Édouard Geffray. As autoridades também registraram quase dois mil detidos ao longo de mais de dez dias de protestos.
Confrontos e resposta do governo
Os manifestantes bloqueiam acessos às escolas e, em alguns casos, entram em confronto com a polícia. Imagens divulgadas nas redes sociais mostram barricadas em chamas e veículos incendiados. Na manhã desta sexta-feira, bombeiros foram chamados para apagar um incêndio diante do liceu Léonard-de-Vinci, no 15º distrito de Paris. Na escola técnica Gaston-Bachelard, no 13º distrito, bicicletas e lixeiras foram incendiadas.
O governo do presidente Emmanuel Macron reconhece a legitimidade das reivindicações, mas condena a violência. O ministro da Justiça, Gérald Darmanin, disse ter pedido aos promotores que responsabilizem os pais pelos danos causados pelos filhos e que “paguem pelos reparos”.
O primeiro-ministro Sébastien Lecornu criou, na quinta-feira, uma célula interministerial de crise. O gabinete do premiê classificou o movimento como “violência urbana” e acusou o partido França Insubmissa (LFI) e aliados da ultraesquerda de estarem na origem dos protestos. O coordenador do LFI, Manuel Bompard, rejeitou a acusação e afirmou que o governo estava “caindo no conspiracionismo”.
O governo desistiu de cobrar taxas de matrícula de cursos técnicos e classes preparatórias para as Grandes Escolas, cobrança prevista no projeto de orçamento para 2027. Nesta sexta-feira, o ministro da Educação se reúne com sindicatos, associações estudantis e organizações de famílias de alunos. As entidades anunciaram a continuidade da mobilização antes de uma manifestação marcada para a próxima terça-feira (6).



