APARECIDA — É falsa a alegação de que dom Orlando Brandes, arcebispo emérito de Aparecida, tenha pedido votos para Luiz Inácio Lula da Silva durante uma homilia na Basílica de Aparecida. O Santuário Nacional de Aparecida informou que o religioso não declarou apoio a partido ou candidato.
A fala ocorreu durante a celebração do Dia da Independência, em 7 de setembro. Ao abordar as eleições brasileiras, dom Orlando pediu que os fiéis escolhessem seus representantes de acordo com a consciência e pensando no bem comum, sem mencionar nomes ou legendas.
Aos 25 minutos e 40 segundos da transmissão disponível no canal do santuário, ele afirmou: “E hoje, pedir a Nossa Senhora, padroeira do Brasil, nesse ano eleitoral, que elejamos aquelas pessoas segundo o nosso coração, segundo nossa consciência, segundo nosso conhecimento. Pensando no bem de todos, pensando no bem comum”.
Na mesma homilia, o arcebispo defendeu a soberania nacional. “Nenhum poder de fora, seja quem for, não deve mandar aqui”, declarou, ao falar sobre a Independência do Brasil e a identidade do país.
Imagem manipulada
Em nota, o Santuário Nacional de Aparecida disse que dom Orlando “não concedeu a entrevista citada, não fez essa declaração em qualquer outro momento e não manifestou apoio a nenhum partido ou candidato”.
A instituição também informou que a imagem usada na postagem não corresponde à arquitetura da Basílica e que a pessoa exibida não é dom Orlando Brandes. A análise do SynthID, ferramenta do Google para avaliar conteúdos sintéticos, apontou que o material foi criado com uso de inteligência artificial.
O texto compartilhado nas redes atribuía ao arcebispo uma declaração de apoio ao PT e um pedido para que os fiéis dessem a quarta vitória ao presidente Lula. Essa fala não aparece na transmissão da celebração nem foi confirmada pelo santuário.
Em outro episódio, bispos da Região Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, que reúne Amazonas e Roraima, divulgaram no Instagram, na última segunda-feira, 21, um vídeo sobre o voto consciente nas eleições de 2026. Eles afirmaram que o voto é garantia da democracia e exercício da cidadania, além de defenderem a preservação da Amazônia e dos territórios indígenas e ribeirinhos.



