Uma postagem que circula no Instagram atribui ao governo de Jair Bolsonaro políticas públicas que já existiam antes de sua gestão, foram adotadas depois ou aparecem com números incorretos. O vídeo apresenta uma lista de motivos para votar em Luiz Inácio Lula da Silva e, ao final, afirma que os itens correspondem a medidas implementadas entre 2019 e 2022, durante o governo Bolsonaro.
Das ações mencionadas, duas já existiam antes de Bolsonaro assumir a Presidência, duas têm dados incorretos e uma foi adotada no atual mandato de Lula. O autor do conteúdo foi procurado para comentar os erros, mas não respondeu.
Médicos, moradia e energia
Em agosto de 2019, Bolsonaro lançou o programa Médicos pelo Brasil, criado para substituir o Mais Médicos. A proposta previa 18 mil vagas para médicos, com salários de até R$ 31 mil, sendo 13 mil destinadas a cidades com maiores dificuldades de assistência. As vagas seriam distribuídas em todo o Brasil, e não apenas no Sul. Além disso, o primeiro edital foi aberto somente em 2022, com 4,6 mil vagas.
Também é incorreta a atribuição ao governo Bolsonaro de juros menores e financiamento de 80% para a compra da casa própria no Norte e no Nordeste. As condições mencionadas fazem parte das regras do Minha Casa, Minha Vida em vigor desde abril de 2026, durante o governo Lula. Nas faixas 1 e 2, voltadas a famílias com renda de até R$ 3,2 mil e R$ 5 mil, respectivamente, a Caixa Econômica Federal financia até 80% do valor em todo o País. Nas faixas 3 e 4, o percentual vale para Norte, Nordeste e Centro-Oeste. A faixa 3 atende pessoas com renda superior a R$ 5 mil e até R$ 9,6 mil; a faixa 4, aquelas com renda de até R$ 13 mil.
O programa Mais Luz para a Amazônia foi lançado em 5 de fevereiro de 2020, durante o governo Bolsonaro. O objetivo, porém, era atender 70 mil famílias em regiões remotas de Estados da Amazônia Legal, e não 700 mil famílias isoladas. A área inclui Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Tocantins e Maranhão.
Leis e Pix
A violência doméstica contra a mulher já era crime desde 2006, quando foi sancionada a Lei 11.340/2006, conhecida como Lei Maria da Penha. Em 2021, a Lei 14.188/2021 aumentou a pena para lesão corporal contra vítima do sexo feminino e criou o crime de violência psicológica contra a mulher. Já a Lei 15.384/2026, sancionada neste ano, tipificou o vicaricídio e o incluiu entre os crimes hediondos.
O Pix foi lançado em novembro de 2020, durante a gestão Bolsonaro, mas seu desenvolvimento começou em 2018, ainda no governo de Michel Temer, por funcionários do Banco Central. Em outubro de 2020, quando começou o cadastro das chaves Pix, Bolsonaro afirmou desconhecer o programa.



