A formação de um ciclone extratropical junto de uma nova frente fria deve elevar o risco de temporais, granizo e rajadas fortes de vento no Sul, Sudeste e Centro-Oeste. O sistema começa a ganhar força entre o Paraguai, o norte da Argentina e o Sul do Brasil, mas a previsão sobre o momento exato de sua intensificação ainda varia.
A Climatempo considera possível a ocorrência de tempo severo. A meteorologista Josélia Pegorim afirma que, conforme a evolução da área de baixa pressão, o sistema pode chegar a configurar um chamado ciclone-bomba. Essa classificação depende de uma queda muito rápida da pressão atmosférica e, neste momento, não há confirmação de que o fenômeno ocorrerá.
Formação e avanço da frente fria
As projeções indicam que a baixa pressão deve começar a se intensificar entre quarta (9) e quinta-feira (10). A previsão regional mais detalhada aponta que, na sexta-feira (11), pode ocorrer a formação ou intensificação do ciclone no oceano, perto da costa da Região Sul, em um processo conhecido como ciclogênese.
A combinação desses sistemas tende a aumentar as instabilidades ao longo da segunda metade da semana. A maior atenção deve se concentrar entre quinta e sexta-feira, quando são esperadas tempestades e volumes elevados de chuva em diferentes áreas.
No Sul, o Paraná deve registrar pancadas de chuva de intensidade moderada a forte já na quarta-feira, influenciadas por uma baixa pressão entre o norte da Argentina e o Paraguai. A chuva deve avançar para Santa Catarina ao longo do dia, com chance de temporais. No Rio Grande do Sul, a precipitação inicialmente fica mais concentrada no noroeste.
Na quinta-feira, Paraná, Santa Catarina e o norte gaúcho continuam sujeitos a instabilidades. O risco de temporais e de acumulados elevados é maior no centro-sul e no oeste paranaense.
Sexta-feira concentra maior instabilidade
A organização do ciclone e da frente fria deve ampliar o risco de tempo severo na sexta-feira. Paraná e Santa Catarina podem ter pancadas moderadas a fortes desde as primeiras horas, enquanto a ciclogênese próxima à costa mantém as condições instáveis durante o dia.
Os maiores volumes de chuva são esperados no sudoeste, no sul e no interior do Paraná. No Rio Grande do Sul, a chuva também deve aumentar pela manhã, com possibilidade de precipitação forte, temporais isolados e rajadas intensas de vento.
Em São Paulo, a sexta-feira começa com chuva no centro-sul, inicialmente de intensidade moderada e, em alguns pontos, forte. A precipitação deve se intensificar durante o dia, com risco de temporais e acumulados elevados, principalmente no centro-sul do estado. A aproximação da frente fria também aumenta a instabilidade no oeste, sudoeste e sul paulista.
Antes da passagem do sistema, a atmosfera pode esquentar por causa do aquecimento pré-frontal. Na capital paulista, a máxima pode alcançar 27°C na sexta-feira, depois de marcar 19°C nesta terça-feira (8).
Mato Grosso do Sul é a área do Centro-Oeste que exige maior atenção. Na sexta-feira, a frente fria deve favorecer pancadas no oeste e no sul do estado, com previsão de chuva forte e risco de temporais sobretudo na faixa sul. A Climatempo também prevê a possibilidade de tempestades e chuva volumosa durante a formação do ciclone e da frente fria.
Frio ainda permanece em parte do Centro-Sul
Enquanto o novo sistema se organiza, a massa de ar frio que avançou pelo país ainda influencia as temperaturas. Nesta terça-feira, as manhãs permanecem frias no Rio Grande do Sul, nas áreas serranas de Santa Catarina e no sul do Paraná, com possibilidade de geada no sudoeste gaúcho. À tarde, porém, os termômetros devem subir gradualmente.
No Sudeste, o ar frio mantém temperaturas mais amenas no centro-sul e no leste de São Paulo, no Rio de Janeiro, no Espírito Santo, no Sul de Minas, na Zona da Mata e no leste mineiro.
A intensidade, o caminho e a velocidade de deslocamento do ciclone e da frente fria nos próximos dias vão definir quais áreas ficarão mais expostas a temporais, granizo, ventos fortes e nova queda nas temperaturas.



